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A joanete e todas as coisas relacionadas a ela.



[Eu, Dimitri (o gato), e um bronze que ficaram na infância, na memória e na Florida]


Natalya é uma pessoa sensata. Natalya é, de longe, a única russa sensata que eu conheço. Talvez eu devesse falar antes das russas que eu conheço antes de começar a falar da Natalya. As russas que eu conheço usam salto alto para a escola, maqueiam-se (e eu disse maqueiam-se), e usam roupas que deveriam ser usadas naquela "balada" (odeio essa palavra, vide lista de palavras ridículas: "roqueira", "estilosa", "paquerinha", "velcro", "água com gás", "moçada", "berimbau"). A Brasileira chega, de all star, jeans, uma blusa de souvenir da Florida com um mickey, que tem pelo menos 67 anos, o rosto limpo, de quem acabou de jogar água e escovar os dentes. Quando eu fazia o Ensino Fundamental eu sempre chegava com umas marcas de pasta de dente em todo lugar, eu tenho conseguido controlar ("parabéns, Rianne"), mas parece que isso é uma das coisas sobre mim. Quando eu era pequena, e eu não gosto falar dessa experiência, foi uma coisa realmente embaraçosa, foi, talvez, a primeira vez que eu topei com a palavra HUMILHAÇÃO, genuína humilhação. Então minha mãe era uma pessoa ocupada, muito ocupada, minha mãe nunca estava em casa. Dona Fátima estava sempre em casa, eu tinha sobrevivido a infância dessas babás que jogavam o meu mingau na privada porque não queriam me dar comida, na minha adolêsncia, ninguém sabia porque eu não engordava, se eu comia tanto. Eu sabia, lembrava do bebê faminto (drama, agora). Então eu estudava o primeiro e segundo turno na escola, era tipo colégio interno mas não era. No turno da tarde eu tinha um amigo surdo, O Júlio, e uma amiga muda, A Gina. Eu nunca esqueci os rostos deles. Júlio era gordo e meio indígena, Gina era asiática, branquela. E não sei se os primeiros amigos que eu fiz na vida, sendo eles surdos e mudos, diz algo sobre o meu caráter maquiavélico. A verdade é que eu tinha desenvolvido esse modo de falar com eles, eu falava com as mãos e muito bem, habilidade que hoje fora perdida. Um abraço Gina e Júlio, aí pelo mundo. Nós fazíamos muitas atividades durante todo o dia, natação, teatro, pintura, e tudo que se faz se os seus pais são pessoas ocupadas (nada de festa no apê). A verdade é que até nessa época eu achava estúpido ter o nome de um mês do ano (desculpa, Júlio). Depois da natação fui pôr minhas roupas limpas, mas Dona Fátima só tinha posto meus shorts e uma camiseta. Dona Fátima, onde está a calcinha com babados? Dona Fátima, você não merece o meu amor - eu devo ter pensado. Dona Fátima me fazia acreditar que a luz em cima do Hotel Diogo era a luz da bruxa. Até hoje eu olho para aquela luz com espanto. É o que se leva, é o que se leva. Vesti meus shorts e minha camiseta. Cheguei em casa de noite, que era quando eu chegava sempre em casa, e Dona Fátima foi me dar banho. Dona Fátima gritou do quarto "a bichinha está sem calcinha!", a cozinheira veio correndo pro meu quarto e eu fiquei lá parada com os shorts abaixados e Dona Fátima rindo. Dona Fátima, provavelmente, não sabe o trauma que foi esse dia na vida da Rianne-criança. Eu consigo enxergar Dona Fátima rindo, eu consigo escutar perfeitamente. E mui bem, não me tornei um serialkiller e cresci com todas as faculdades mentais, ou coisa do tipo, se é esse o desfeixe que estão esperando dessa história.

Natalya apareceu no VGG (escola de línguas em Kirov), onde eu estava sentada no sofá, virando a cabeça, de um lado e pro outro, observando minhas botas, julgando como estaria aquele calombo estúpido ali debaixo. O meu celular toca. Natalya acena no meio do corredor, eu me levanto do sofá, visto o moletom, o casaco, boto o chapéu, o cachecol (urg.) e pego a bolsa. Estúpido na língua portuguesa dizermos calçar a bota, botar a calça. Otpravlis' [nos mandamos]. Minha conversa com a Larisa, minha coordenadora, a Sra. Responsável pela Manutenção da Minha Vida Russa, há poucos minutos tinha sido um misto de "eu acho que se eu for para um hospital eles vão querer amputar meu pé mas acho que devo ir" e "sim, eu vou mesmo para Moscow e Veliki Novgorod nas férias", a proxima coisa é que ela ligou pra Natalya e nós estamos indo juntas. Andamos pela Lenina, eu e Natalya, eu sentia o calombo mais parte de mim do que nunca, mas só porque eu tinha vindo pensando muito sobre o calombo. Meus pés sempre foram estranhinhos, parecem pés de patos. Pequenos. Não sei. Até a idade de 7 anos eu achava que as pessoas, no mundo lá fora, andavam na ponta do pé. Eu andei na ponta do pé até os 7 anos. Ninguém - nunca - me - corrigiu. Mas um dia eu percebi que aquilo estava errado, mas que era por isso que eu corria mais rápido que os meninos no recreio (o princípio da lebre, amém).

Conversar com a Natalya é como po maslu [manteiga], agradável. Eu praguejo sobre um discurso filosófico sobre o Ensaio da Cegueira, a vida do ponto de vista de um cego, vamos discutindo sobre Anna Karenina, tentando achar a palavra russa para "joanete", passamos por uma descrição sobre "Триугольник всякий на углу ступня... короче, не важно, не знаю как это называется" ["um triangulozinho na ponta do pé, ah, não sei como é isso em russo, esquece"]. Ela me fala de uma viagem a Nizhni, sobre uns amigos americanos que estão vindo pra cá. Eu até esqueço da Coisa no pé. Da i priatno [agradável].

Falando em curtas palavras. Chegamos nesse hospital depois de perguntar muita gente onde ficava, fomos atentidos por esse cirurgião estúpido que achava que eu tinha um calo e disse para eu comprar uma palmilha (aliás obrigado aos seres que se esforçaram em me relembrar dessa palavra), fomos até a loja ortopédica e vimos uma palmilha alemã até nos damos contas que aquilo era ridículo, decidimos ir a outra clínica, que só atendia maiores de 18, desistimos e deixamos pro outro dia. O sistema de saúde russo é um dos resquícios do socialismo: existe um hospital por bairro, e um morador de um bairro não vai pro hospital do outro, assim eles se mantém, sabendo a quantidade de pacientes potencial. Faz sentido. Mas a Natalya acha que é balela, que não funciona direito. Eu saio do hospital praguejando sobre o mau humor do médico, que, "em um momento da vida dele ele fez a escolha de ser médico e talvez não goste dessa decisão agora, mas agora de qualquer forma ele pode fazer a decisão de não ficar de mau humor, de escolher o bom humor, na vida tudo pode ser uma merda e tudo pode ser muito bom, toda situação é a mesma, só existem pessoas e visões diferentes". A Natalya acha meio que engraçado quando a Brasileira - ainda - se indigna com alguns traços da "alma russa", que é o equivalente ao "jeitinho brasileiro" por aqui.

Cheguei em casa, jantei mais alguma coisa que parecia um café da manhã. Viver sobre os próprios pés significa cozinhar. E tudo parece um café da manhã, porque "amanhã eu juro que cozinho algo decente". Queria saber fazer café como manda o Livro, eu só esquento o leite e boto café, eu sei que não é isso que we roll in the Shire. Se alguém quiser dividir conhecimentos, vamoae.

No outro dia depois da aula fui esperar Natalya na Tsentralni Rinok ["centro"], fiquei na parada de onibus esperando ela surgir de um dos milhares ônibus. Basta um tímido aumento na temperatura para ver as garotas aqui já apelando para a mini-saia, era realmente um dia quente. Priatno [agradável]. -2, mas eu não preciso lembrar que temperatura é relativa para quem vem vivendo em dois dígitos de frio a tempo demais. Tem esse cachorro na parada de ônibus que acaba de entrar dentro do ônibus, passageiro ilustre. Nos próximos três segundos ele está saindo pela porta de trás. Não agüentei, ri alto. O cachorro era gordinho andava meio rebolando, juntando toda a improbabilidade da situação... Um cara olhou pra mim. Uma das coisas do protocolo da "alma russa" é não rir em público. O cachorro fez isso mais duas vezes com os próximos dois ônibus, era uma mistura de salsicha com cocker spaniel, um negócinho. No quarto ônibus, depois de eu ouvir uns gritos de umas babushkas lá de dentro, o cachorro não saiu pela porta de trás, e foi ganhar as ruas. Dez minutos depois o cachorro vem a pé [a patas] de volta para a parada de ônibus, filho pródigo. Depois do cachorro, a Natalya desce do ônibus.

Fomos andando pela feirinha, umas pessoas vendendo tudo que podiam vender, medalhas militares da segunda guerra, coisas que deveriam estar em museus. Quando juntam os franceses, os alemaes e os americanos aqui, o assunto sempre sái em II guerra. Mas é o que nós chamamos de "inevitaveis piadas sobre a II guerra" ["neizbezhnie vtoroi mirovoi voini shutki"]. Durante uma guerra de bolas de neve, sim, temos três anos de idade, um dos franceses resolveu tirar o corpo fora. "Vá, mande-se, é o que os franceses fazem", ou quando estamos tentando tomar uma decisão para onde ir e um dos americanos pergunta "ok, elejamos um líder e tomemos uma decisão", a alemã diz "eu vou ser o líder", e só depois de trÊs segundos todo mundo conecta aquele momento a II guerra. Um dos americanos se atrasa e "não se preocupe, a gente sabe que você só chega quando a festa já tá no meio". Tudo, absolutamente tudo, está secretamente ligado a II guerra. Mas a Brasileira fica ali sem sentir nenhum sentimento heróico sobre aquela parte da história mundial, "eu sei que mandaram 10 mil soldados ou coisa do tipo pra Itália", me justifico, mas o Brasil nunca entrou em guerra nenhuma e quando minha professora de literatura pediu para eu escrever uma redação no tema "netos da grande guerra" eu sentei na frente do papel, sem nenhum sentimento de heroismo quanto a guerras. O que acontece nesses momentos é que eu jogo uma de Suiça e posso tirar sarro de todo mundo com as piadas de II guerra. Se me perguntarem, boa coisa que o Brasil não se envolve nesses campos perigosos da natureza humana, boa coisa, boa coisa. Os russos não cansam desse assunto. Se no Brasil quase todos os feriados são religiosos, aqui quase todos os feriados são sobre a II guerra, de uma nação que foi obrigada a ser atéia no regime comunista e perdeu toda a tradição de comemorar Natal e feriados católicos/ortodoxos. Daí se tira. Os russos não comemoram Natal dia 25, mas o Ano Novo no dia 31, e não se diz "feliz natal", mas "feliz ano novo". Eu poderia escrever uma justificativa para muitas das cherta [qualidades] da Rússia, mas isso é uma coisa longa.

Quando nós chegamos no hospital, Natalya me falava de como era a vida na União Soviética, ela só tinha 3 anos quando a coisa toda foi ao chão, mas a mãe dela que conta. Que recebiam, sim, salário, mas tudo era fornecido pelo governo, viajavam muito, não compravam comida mas tinham um "bilhete" onde anotavam o que compravam. E que alguns julgam tempos de ouro, outros vêem essa mancha negra. Quanto vale a sua liberdade?

Aleksei já estava indo embora, palavra, quando descobriu que existia uma espécie rara esperando ser atendida, uma brasileira que tem uma dor no pé, e a Busca pela Palavra "Joanete" em Russo. "Ah, batyushka..." ["Ih, minha filha..."], disse Aleksei, o médico, ao examinar meu pé. "Esse pé é da mãe ou do pai?", pergunta, me lembrando muito os médicos brasileiros, que fazem piadas tolas para que aquilo já não se torne mais desprazeroso quanto já é. Eu ri e respondi, "do pai". "Então agradeça ao papai, você tem Hallux valgus", disse a última palavra com um tom e uma mão de sabedoria. Agora ficou tudo mais claro, como eu nunca pensei nisso? Hallux valgus e o Iluminismo: sempre abrindo caminhos para o nível de conhecimento da Humanidade. Fiz uma cara de que "isso não me diz absolutamente NADA, esplane, disserte". Aleksei entendeu. "Quer dizer que um osso aqui não tá direito, que você precisa fazer fisioterapia, que não deve ver um salto alto nessa vida, e deve comprar isso e isso e isso". Pre-lest [ma ra vi lha], pensei. E perguntei quando eu já sabia a resposta, "e isso se cura?", Aleksei riu, e eu entendi. Ele continuou me fazendo perguntas sobre a vida russa do ponto de vista de uma brasileira com um Hallux valgus. Aleksei disse que eu deveria voltar, esli chto [se houver algum problema]. E como eu sempre falo, na Rússia existe gente muito estúpida, e gente muito simpática, não se fabrica o meio termo. Eu e Natalya saímos, destino, casa. Lembrando no caminho, no ônibus, da trajetória que: eu fui no médico da escola e ela me deu um bandaid; fui num hospital na Lenina e o estúpido achou que eu tinha um calo; e então o Aleksei, que não tem medo de ter um bom humor.

Sabe que na vida acontece muita merda. E isso é inevitável, absolutamente inevitável. E não se controla isso. A única coisa sobre a qual nós ainda podemos manter o controle é manter sempre o bom humor, keep meditating and feeling inspired, maestro, manter os espíritos altos, esquecer dos skeletons [disse Anna Karenina]. Cada é um responsável por fabricar uma pessoa feliz, fabricar a si próprio, ridículo é aquele que culpa o mundo em volta, é muito conveniente fazê-lo, e feliz é aquele, meus caros, que apesar de ver uma placa tectonica abrir-se bem na sua frente, ser molhado por um onibus quando a neve começou a derreter e está tudo lamascento, ri, e ri alto, porque não há o que fazer senão manter os espíritos altos, apesar dos pesares. Eis que pessimismo é uma coisa que eu não pretendo compreender, e não gosto dos adebtos.

Comprei uma coisinha de borracha que separa o dedão, uma pomada, e tenho que fazer uma coisa com iodo todo dia, até o meu leito de morte. E é isso, camaradas, é isso que se leva, mas eu chego em casa com dor no pé e sento com a Anna Karenina.

Agora ela balança as possibilidades de um affair com o Bronski, e a pobre Kiti está deitada em seus aposentos, de coração quebrado, entre a visita de um médico e outro, que não cura os maus do coração. Vejo muito da Madame Bouvary na Anna Karenina, e resolvi que é sobre isso que vou falar no seminário. Madame Bouvary é um livro pelo qual eu me apaixonei, pouco depois de topar com Ana Terra - mulheres de personalidade num tempo que mulheres não deveriam ter personalidade. Nessa vida, deve-se ler.


Amanhã é um dia no qual eu tenho que me apresentar em cinco línguas, seguidamente. Como fazer isso? Tendo um colapso
. Toda vida que eu saio da aula de alemão, e tenho que voltar a falar russo, pensando ora em português, ora em inglês, eu tenho essa expressão facial de quem tá tendo um treco. Mas a minha coordenadora achou que "não seria bacana se você fizesse isso na conferência, sim, sim, seria bacana". Kstati [btw], a quinta língua é espanhol, a qual eu me encontro no mesmo nível que qualquer brasileiro, que se entende tudo, que não se fala muito, mas a minha coordenadora achou que seria mais interessante ainda adicionar mais uma língua a essa canja e me ver ter ataques epilépticos. Pelo menos Dostoiévski também tinha epilepsia, assim sentimo-nos menos debilitados.

Vou deixar um link com os filmes indicados no Oscar desse ano, os quais eu tenho baixado (menos Avatar, acho repugnante) e assistido em homenagem ao ócio. Recomendo a atividade para os que gostam de perder tempo. Quando acabar de assistí-los (menos Avatar) vai que eu chegue a julgá-los, sem nenhum entendimento realmente de cinema, por aqui.

Agora vou ver como está Kiti e saber mais da Anna.

Quem puder ensinar a fazer café de verdade, sério, não se poupe que eu ouço e aprendo e viro aprendiz.

Pontuo.

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