sábado, 27 de dezembro de 2014

Português, língua doce.

alvorada
cafuné
saideira
saudade.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Leitor,

Eu não fui a lugar nenhum. Nem sequer me mudei. Nenhum furacão desde Novembro do ano passado. O que aconteceu se explica com muito latim e muita insônia (chama-se: plantões, tardes revirando cadáveres em um laboratório, cansar os olhos com microscópios).

E você que se interessa sem ao menos me conhecer, que é mesmo assim tão apaixonado por uma bonita ordem de palavras? Admiro. E admiro sem ironia a gente que tem o tempo e a paixão e o tempo para ter a paixão, obviamente não são médicos.

Eu admiro quem ama a palavra. 

Sigo em anos de busca, e totalmente suspeita, repito: quem é que vai superar esse português? Todo enfeitado com acentos que desde a pouca idade sempre vi como "jóias", deveriam imaginar que bonito foi entender e saber escrever as palavras "avô" e "avó". Cada um com uma jóia diferente. Um enfeite. 

Aliás, o cidadão-leitor deveria imaginar a minha caminhada ofendida do passo forte na rua Novaya Arbatskaya, em direção ao metrô, depois de um encontro indesejável em uma livraria. O cidadão-leitor não imagina como se contorcem os intestinos (e até o apêndice que me tiraram!) ao ver uma obra de Saramago traduzida para o russo. Para que diabos? Eu me perguntava, e parei aí mesmo, Saramago seria o primeiro a fazer críticas com referências religiosas, mas ele que me perdoe, deve ser a infãncia em um colégio católico. 

O que fazer, cidadão-leitor, e agora me direciono mais diretamente: o que fazer, cidadão-leitor-também-expatriado, quando milhões ao seu redor não têm a mínima idéia de como flue essa língua? Sentir pena por estes que nunca a vão escutar, ou que a escutem, está bem, mas nunca a vão entender? 

As navegações acabaram.

Mas eu sigo insistidamente percorrendo o mundo com meu português.
Não era eu e você só está imaginando. Quem anda agora nos corredores da sua mente é alguém esquecido, enterrada, com lápide quebrada. Esse alguém que anda de carne e osso, e sem alma, é verdade, agora, na sua frente, é o que sobrou, é a vontade colada com fita com capacidade de andar, são as lacunas da saudade que se fazem visíveis, a cada passo disforme que esse alguém dá.

Personificação do tempo

Под музыду: Canção de Engate, Tiago Bettencourt

Заключительные мысли.

Год назад я написала в блог "Буду перерабатывать всю свою жизнь" (естественно оригинал был на португальском - оригинальный смысль очень плохо передается на русском). Доучила один язык, познакомилась с людьми которые даже не знают как меня изменили, улучшили; потеряла самого ценного итальянца своей жизни - человек, который дал мне жизнь, но в день моего рождения прощался с этим миром, да он знал насколько я люблю Пасху (которая год от года совпадает с моим днем рождением) и в этот день и попрощался. Я остановила и слушала пациентов - не только о симптомах, а о жизни. Видела грани жизни, не все, но научилась что их много. Мы узнаем жизнь только перед смертью, врачи живут эти ощущения чаще других представителей общества. Разделила свое время с детьми - которые способны проявлять в любом человеке его наилучшие качества. Просто хотела сказать, не я перерабатывала свою жизнь, а скорее этот год переработал меня. И для меня раз он уже закончился после Рождества, написала Отцу стихи, по привычке. Пора мне с ним попрощаться. Вчера читала Гильгемаша - это герой, который стал знаменитым не тем что он сделал, а тем, чему он научился - тут об этом речь. И последний мой совет: любите, просто любите, не спрашивайте себя почему любите, ведь если вам нужны объяснения или причины - это уже не то чувство, раз он самое бессмысленное на свете, не ищите в нем объяснений. Как поет Беттенкур: "любовь - это не время, ни время его производит, любовь - это момент, когда ты шел, и я решила пойти за тобой".

Personificação do tempo

Eu vou te amar 
como o vento te trouxer
Vou, vou
(vem)
contra o tempo
o vento - 
o bento amor
Mas eu sigo em sigilo
corrijo:
descasco
o tempo
vou te amar
como ao tempo
vai ser um amor linear
abstrato
desesperadamente absoluto
inteligível ao terceiro
e já o está

Agora olha de perto
o teu amor me descasca
desmaterializa
desfaz
refaz
entre essas quatro paredes
só é amor 
se a tua dor - 
entre essas quatro paredes do nosso amor
só é amor
se a tua dor
for minha também
ela me descasca
desmaterializa
desfaz

refaz.