domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hipertextualidade dos chaveiros

[Esse post falta linearidade de pensamento]

Um pequeno pinóquio da Itália. Uma coisa da estação de trem Kazanskaya de Moscou. Um touro de Madrid. Um medalhão de Kirov. Um urso com uma blusa escrito 'London'. Uma minúscula boneca tirolesa. Um mini, mini, mini chimarrão. O brasão da polícia de New Jersey, de um career day. Uma miniatura que esbanjava a riqueza de Monaco e Monte-carlo. Uma mini gôndola me lembrando de Veneza. Um cachorro Bernardo com um barril de bebida e uma camisa com a bandeira suiça. Pelo menos cinco tipos de Mickeys. E mais uns tantos, a caixa começava a ficar pequena.

Eu precisava me proteger. Quis casulo. Isso era eu, mexendo na caixa das botas que eu tinha comprado no inverno passado, que em um ataque de euforia de verão, joguei fora assim numa lixeira no meio da rua, botando havainas. Na caixa verde musgo, chaveiros dos noventa e cinco cantos do mundo, uns com nomes de ex namorados (amei mais de dez vezes pra sempre), mas imprescindívelmente, todos contando histórias. Fui guardar o mais novo chaveiro irlandês, presente de uma amiga que foi colonizar Dublin... Eleito a chaveiro da chave da minha casa, porque nunca se tem demais da Irlanda. Os chaveiros, longe, não cumpriam a sua única função de existir como chaveiros, souvenirs. Eles falavam, lembravam, reviviam, contavam, despertavam, arrancavam sorrisos de canto de boca de quando éramos felizes, ou éramos felizes de outro jeito, e que somos felizes de outra forma e cor agora.

Como um chaveiro, nem uma palavra quer ser só uma palavra, vem a tona querendo ser auto-relevo, viva, em toda a liberdade da função de ser uma palavra. Lembro que uma das primeiras palavras que aprendi a escrever foi "melancia", parecia gigante, uma estrada. Não lembro da primeira conta que fiz. A matemática me passou alheia, não deixou impressões... Mas as palavras sempre andaram vivas, nunca somente impressas ou escritas. Lembro do impulso de querer comprar um livro, de abusar do que eu acabara de aprender: ler. E as barbies que me perdoem, passei direto. Fui mais a fundo da própria definição de "hipertextualidade" para pensar sobre isso...

Segundo definições, hipertextualidade é a capacidade de um texto de oferecer a não-sequencialidade, caminhos e uma ordem que o leitor possa criar. O texto dentro do texto. Na atualidade, isso se aplica a livros eletrônicos com hiperlinks e uma leitora, digamos, personalizada. Isso não é de hoje, quem leu "O jogo da amarelinha" ficou louco e notou, mesmo sem conhecer a palavra, a hipertextualidade da coisa.

Ou quando uma palavra oferece um caminho que cabe o leitor ignorar, como ignorara as barbies, ou de ir andando na estrada da palavra "melancia".



Todas as linhas de pensamento me levam a crer que os sumérios não tiveram a menor idéia de ondem estavam se metendo, com essa coisa de escrever, simplesmente escrever, não falo de fazer literatura. E foi quando eu resolvi questionar a civilização da roda, da escrita, os sumérios. Não imagem um talkshow, eu me sentiria idiota. Em o "Estandarte de Ur", o primeiro HQ da humanidade, não foi intencionalmente uma obra de arte, mas apenas a contação de história, e a contação de história não foi só a contação de história de vitória do Grande Rei, foi a ostentação do poder, foi a hipertextualidade do primeiro quadrinho da história. A coisa dentro da coisa, dentro de outra intenção. Foi isso que eu entendi e comecei a ver o conceito matrioshka em tudo quanto é lugar. A idéia dentro da idéia. A intenção dentro da idéia. A vida é toda hipertextualizada e não sabe. A coisa de fazer a história como nos apetece. E eu fiquei tão obcecada com a coisa que achei ter achado a resposta pra vida (lógico que não).

Então eu notei que imagens poderiam também ser hipertextuais. Quero dizer, mostrar uma coisa e oferecer variados caminhos de entendimento da coisa. Como o Estandarte dos sumérios. Mas olhando ali pra caixa, percebi que os chaveiros falavam mesmo e que eles, sabe-se lá por que eu deixei, me definiam. Eu tenho essa teoria que todo mundo tem a escolha de se definir em uma frase "Meu nome é Rianne e eu tenho uma certa obsessão com impressionistas", a segunda oração poderia ser qualquer coisa, mas ainda mais sinteticamente, as pessoas podem escolher uma palavra para se definir, uma palavra da qual vai partir toda a hipertextualidade de sua definição. A minha poderia ser Norte, ou Girassol. Ou Direção, ou a falta dela, mas creio que seja mesmo Bússola.

E eu vou para a faculdade com a mesma mochila que eu ia parar a segunda série do fundamental. Talvez eu não tenha mudado tanto, mas eu vi muito e não amei pouco. Absorvo, vira exoesqueleto e eu absorvo de novo, só mudo o chaveiro... Dentro sou a mesma. Não mudei, talvez só faça mais força para evitar alguns defeitos, e o mesmo para as qualidades. No fim do dia, a nossa bússola aponta para o mesmo norte, os exoesqueletos se acumulam, mas a direção continua sempre para o norte.

E por isso eu precisava do casulo. Me proteger. Do casulo nasço de novo e produzo outro exoesqueleto. E quantas vezes for necessário, até eu chegar sabe-se lá onde o norte tenha fim.

Alguns dos meus casulos têm nome, sobrenome, outros têm latitude e longitude, outros têm formas de abraços, outros guardam ruguinhas de sorrisos. A verdade é que não jogo fora nem a mochila, nem me desfaço dos chaveiros porque quero que eles estejam sempre ali para me lembrar que não mudei, mas me acumulei, e não planejo implodir.

Pontuo.

[Idéias nascidas da matéria "Inovações no velho suporte", revista da Livraria Cultura do mês de Fevereiro]

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A viagem de Paris ao Ceará


[Madame Déficit, como ficou mal-conhecida, em toda a pompa de sua juventude, época em que Versalhes ainda se servia da sua inocência]

Pelas passagens secretas que ligavam o seu apartamento com o do rei, ela fugiu do povo francês pela primeira vez, com gritos de desejo de morte à rainha subindo pela escada. Fora do mundo banhado a ouro e diamantes de Versalhes, os gritos e a indignação do povo francês finalmente invadiam o castelo, como se todo esse tempo, apesar da Rainha viver em seus jardins no Trianon a céu aberto, nunca tivesse aberto a janela e realmente enxergado (e convenhamos, Versalhes não é Paris). Maria Antonieta, que opinava e tomava lugar em reuniões junto ao rei, viveu de jogatina e idas a festas em Paris, ambos os lados. E no fim, sucumbiu a fofocas e à fome de Paris. A figura feminina junto ao poder naquela época assustava, e diante de um rei covarde e tímido, ela falou alto e foi ouvida, também. Me pergunto se a revolução teria sido inevitável, quando o rei e a rainha tiveram tantas oportunidades de se apresentar frente a Assembléia Constituinte e assinar qualquer coisa que parecesse uma constituição, sua tão pedida constituição, ou seria apenas uma idéia fixa de uma nação inteira? Como se a resposta estivesse em um conjunto de normas, como passos de dança para a harmonia, tão cegos por isso que não viam mais nada. E mesmo assim, esse foi um dos muitos momentos que a monarquia poderia ter sido salva. Me surpreendi com a figura de Maria Antonieta no livro de Joan Haslip, e não sou suspeita pela minha mentalidade contemporânea que pede paz, mas não a condenaria a morte, mas com certeza ela não teria se tornado o ícone que foi sem o contexto do seu fim. Maria Antonieta não fora a única rainha louca por diamantes, mas os quis em um momento histórico que o resto da França queria apenas pão e uma assinatura que tiraria seus poderes políticos, mas não tiraria sua posição. Não digo que a França deveria ter uma monarquia como a inglesa, que é teatral e turística, mas queria ter visto Versalhes cheia por um pouco mais de tempo. E ela ainda vive, não sái de moda...

Tenho praticado um certo nomadismo por bibliotecas ultimamente, ao que o volume de livros que eu já tenho me põe a pensar quando é que eu vou ter a estrutura de levar todos comigo... E tenho descoberto livros que não ajudam na rinite, mas me acrescentam muito. Fui além da Maria Antonieta.

Descobri os amigos do meu pai. Às vezes acabamos por conhecer melhor as pessoas quando conhecemos os amigos próximos, e é verdade que eu vivo disso em relação ao meu pai. Foi em uma noite que nos rendemos a Hitchcock ("Rope" e "Psycho, numa tacada só) - eu particularmente nunca consegiu ver filmes antigos - na biblioteca do avô de uma amiga, que acontecia por ser escritor, que me deu três livros com dedicatórias que foram engolidos no dia seguinte. Barros Pinho é saudosista em relação a sua infância no Piauí, as margens do rio Paraíba, e não precisa ser do Piauí para achar o sentimento de pátria nos versos do mesmo, pois céu é céu em todo lugar, e ele incansavelmente, sempre na dose certa, fala dos céus, do azul. E do azul não só do céu. Eu creio que cada um de nós acabar por adotar uma cor, por ser uma cor depois de uns tantos anos de vida, e é difícil se desgrudar dela e não mostrar preferência, é difícil não admitir que ela sempre esteve ali a vida inteira, se fazendo presente, vivendo junto. Por isso me interessei, já que a minha cor está na palheta dos 12 Girassóis, e é interessante ver o lado de alguém que considera a sua uma cor fria. Aqui alguns trechos que me sinto obrigada a dividir, dos livros "Planisfério - poesia", "Carta do Pássaro" e "Natal do Castelo Azul":

"A lua
tudo mais que sonho
menos que poesia
a lua é profissão
de cosmonauta
que deve ter vida e horário de trabalho"


Especialmente no "Planisfério" há muitos poemas com o tema cosmonauta, e em algum lugar das entrelinhas, de como é estranho ser o primeiro homem mais só do mundo, e não um cosmonauta, vendo o mundo pela janela. Aliás, o sorriso de Gagárin sempre me fascinou e é o cartão postal favorito da minha coleção.

"gagárin
abriu caminho
na indecisão das noites cósmicas
[...]
lá embaixo os homens pequenos
esperam manchetes dos jornais
e o planeta é um passaporte diferente"

"a vida
cápsula de coragem"


Ou ainda sobre a finada Stalingrado, hoje com nome de Volgogrado, uma cidade reconstruída, e a minha experiência de ter estado lá alguns dias me fez amar ter nascido em um país na América que pouco sabe o que são as guerras européias. Havia esse monumento com o nome de todos os mortos, com uma estátua maior ou menor que o Cristo, na mesma pompa.




[Soldados em Volgogrado | Monumento com o nome das vítimas e seus respectivos cargos | Maio de 2010]


" [...] avança soldado leva a alemanha além do volga
[..]
russo nem um passo atrás
e a neve se movimentando sufocando a tirania
e a liberdade ainda agora é uma promessa"


E saindo da temática soviética; lírico.

"se as rosas
se rebelarem
contra os espinhos
haverá muito
perfume pelo ar"

"olha a laranja
olha a banana
olha a saudade"

"o circo que passou
eco do palhaço
que às vezes somos"

"gosto do mar
mistério azul"

"sou poeta
não escrevo
nas nuvens
[...]
poesia toca
o hímen da terra
[...]
a beleza é a pedra
no rígido espaço azul"


Agradeço pelo azul, por sair um pouco dos meus "12 Girassóis" e continuar achando incrível. Invejo tremendamente a biblioteca, preenchida, nunca completa, uma biblioteca não acaba, e fico muito feliz por descobrir assim sem pretensão autores brasileiros de tanto talento. A única vez que tive a mesma experiência foi quando esbarrei com Francisco Carvalho em um sebo. Levei trinta reis para a Bienal, saí com oito livros e com tudo o que havia achado de Francisco Carvalho, que falou por mim, que falou pela cidade de Fortaleza, que falou sobre o meu pai, para quem nunca leu o poema "Chegou a hora, Joaquim", que já postei umas milhões de vezes por aqui. É muito satisfatório saber que tão perto de nos existem pessoas tão interessantes, aliteradas e escritoras de um certo nível que a cada página é uma surpresa não saber porque o mundo já não descobriu a iguaria. Iguaria... Iguaria é achar um bom livro, iguaria é descobrir cores nele. Recomendo a toda alma viva. E honra é descobrir que em algum lugar do tempo, seu pai conheceu essa pessoa, apesar de você não ter tido a chance de conhecer nem um, nem outro da maneira como gostaria. Bons livros unem e reencontram. Quero que minha biblioteca não se complete, assim como a de Barros Pinho, e quero descobrir sempre, sempre iguarias.

Ah, e planos. Planos para meu o aniversário, um dos que corre os risco de ser o último em solo brasileiro por um bom tempo, tenho um rascunho de um Poema ao Meu Décimo Oitavo Aniversário e boas companhias garantidas. Muitos poderiam dizer que minha vida começa agora, especialmente por eu estar me mudando mesmo um dia depois do meu aniversário, mas devo parafrasear aqui: confesso que vivi. Nas palavras de quem sabe mais:

"e vida
quando transformada
em verbo
é uma enorme solução"


Ia falar de Eça, do "A cidade e as Serras", assim voltaríamos a Paris, onde começamos esse post, mas essa conversa vai longe e eu rabisquei o livro inteiro com pedaços de pensamentos. No time for conversation, too much to say. Ninguém imagina a minha eloqüência com um lápis e um livro bom. E aliás, o tema homem urbano já está bem pisoteado por aqui, vou dar um tempo nisso.

E só para ter certeza que comecei esse post em Paris e acabei mesmo no Ceará, para ficar, mesmo estando partindo... A viagem é que é uma viagem:

"não é rotina que queremos
sonhar talvez talvez"


Pontuo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A cidade sou eu, meu amor.

[Sobre o apagão no Nordeste dia 4 de Fevereiro]


[Dolly no meu lugar favorito do bairro, que hoje virou uma ponte, mas antes eram só pedras e mais hardcore]

Cheguei em casa, saindo do taxi, num tom de desespero, perguntei ao porteiro se eu teria que subir de escadas. Ao que ele respondeu que lógico que sim. Era o Meireles totalmente escuro e extremamente familiar. A idéia de subir doze andares de escada me pareceu insana então resolvi deitar no banco, no escuro, ninguém sendo dono de ninguém, com a minha música e a verdade de que os postes sugam a beleza das estrelas, e que elas foram teto por tanto tempo e só agora resolveram aparecer. Verdade seja dita, naquela seqüência de dias estava faltando só um apagão massivo para continuar na mesma linha de insanidade. Segunda-feira fomos assaltados, por algum esqueleto desses ambulantes viciados em crack na Beira-mar. Cartão postal. Já haviam tentado me assaltar, mas nunca tinham levado nada. E aquelas matérias de jornal de meio-dia dizendo para que você não reaja a um assalto... Eu nunca dei ouvidos. Trocando por miúdos, na sexta-feira, saindo do Muay Thai, dia do apagão, porque agora eu achava que qualquer pessoa queria me assaltar e precisava saber socar e chutar com técnica, saí de casa dizendo para a minha mãe que ia ao Pão de Açúcar comer sushi, que não tinha comida em casa. Era a primeira vez que eu andava na Beira-mar de novo depois do assalto, e pânico é a melhor palavra. Cheguei ao Pão de Açúcar, não serviam mais sushi. Com a fome de quem realmente não havia comido nada o dia inteiro e eram onze da noite, peguei um Nescau e sentei no café, liguei o iPod e abusei do wi-fi. Depois de alguns minutos um homem veio sentar comigo, simpático, e eu teria sido também se não fosse a coisa pós-assalto e a surreal vontade que ele simplesmente levantasse e me deixasse em paz. Fé na humanidade: abaixo de zero. Quando eu já estava só, prolongando a minha refeição-Nescau, as luzes do supermercado se apagaram, e eu só podia pensar que "ÓTIMO. arrastão". Continuei sentada, afinal, o que eram dois assaltos em uma semana, eu lembraria daqueles dias com apreço... A luz voltou em alguns minutos com o gerador, e a minha idéia começou a parecer absurda. Era quase meia-noite, peguei um taxi até o Subway da Beira-mar. As luzes já haviam voltado e eu finalmente conseguiria jantar-almoçar. Assim que pus os pés no Subway, a cidade ficou no escuro, e o que eu não sabia na hora, o Nordeste inteiro. O segurança disse que não era para que eu entrasse, já que eles não iam servir ninguém no escuro. Tive que ficar do lado de fora do Subway, esperando que todos os assaltantes tivessem a boa vontade de me dar um vale-assalto pelo dia. Fiz o segurança sentar comigo na mesa, fiquei lá meia-hora, até ele dizer que o Subway só ficava aberto até a meia-noite. Cruzei a rua e peguei um taxi no hotel da frente, de lá até a minha casa deu quatro reais. Mas se minha vida estiver valendo quatro reais, então que seja. E agora essa era eu, deitada no banco do meu prédio, com fome, no escuro. Pelo menos eu tinha as endorfinas e as estrelas. Sentimento estranho... Nunca vou esquecer de rir ali sozinha, autista, e de amar esse lugar como amei naquele segundo. Seria nossa despedida, uma coisa dolorosa, já que eu e a cidade havíamos nos fundido. A cidade sou eu, meu amor. Lembrei de outro dia quando eu tinha quase uma década de idade, deitada na neve, em New Jersey, fazendo um anjinho de neve, e o sentimento de absoluta felicidade era o mesmo, e que seja dito, o mesmo sentimento reproduzido sobre fome, assaltos, e que nesses dois pequenos momentos eu gostara de estar sozinha comigo genuinamente. As luzes dos carros eram as únicas coisas vivas na rua... A cidade sou eu, eu sou a cidade, meu amor.


[Eu no Arbart, em Moscou]

Bulat Okudzhava, compositor russo, escreveu sobre o Arbat, uma rua de Moscou. E creio que o meu equivalente seja o Meireles. Todo mundo tem esses lugares onde tem-se a impressão de que o vento não simplesmente passa, mas vem te encontrar.
Achei uma tradução que talvez passe a mensagem.

Somewhere around our last destination,
maybe, we'll thank our fate anyway,
only I wish that our homeland's transgression
wouldn't be turned to an idol some day.
Well, never mind, that's the way we are destined,
such is our fate: now we feast, now we fight...
Don't give up hope, hold it out, maestro,
keep meditating and feeling inspired.
Short are the years of our blithe adolescence

We’ve anything at all:
smiles, joys and everything,
one common moon for all,
one summer and one spring.

...Like songs, years go by very quickly.
I've changed all my views and my mood.
The yard is too small for me, really,
I’m going to leave it for good.

A minha maior infelicidade daquele dia foi a luz ter voltado. As estrelas desapareceram e tudo voltou a normalidade. All good, all wrong. Uns minutos depois me ligaram e fomos em uma dessas lanchonetes que funcionam como reposição pós-balada e finalmente jantei-almocei. E francamente, viver essa vida inteira no claro... Dá pra atingir a loucura facilmente.
Pontuo.