sábado, 21 de fevereiro de 2009

Desovando



Estado de espírito: de cabeça-pra-baixo

O meu vôo é meia noite e me peguei fazendo uma coisa que, subconscientemente ou não, eu só notei as coincidências agora, tipo, right now... Começou com uma prateleira no meu quarto onde eu deixo remédios e essas coisas. Daí eu vi que tinha um monte de caixas vazias e comecei a ir jogando no lixo, só que o lixo começou a faltar espaço, então peguei um daqueles sacos azuis de lixo e fui jogando fora um tanto de coisa no quarto das quais há um ano atrás eu me via prendida. Então eu abri um armário, e eu já estava no terceiro saco de lixo. Foram quatro sacos grandes e eu andando torta tentando levar todos pro elevador e deixar lá embaixo, uma cena patética, eu sei, mais ainda porque eu estava arrastando os malditos, bem aí "pobre diabo" se aplica a mim. Quando eu subi de volta, deitei de alívio, e sem querer só acordei de tarde. Eu acredito que essas coisas que a gente vai acumulando nas gavetas acumulam energia e só as jogando fora mesmo. A última vez que eu fiz isso acho que eu tinha doze anos, bem, eu tenho quase dezesseis e foram quatro anos de maré alta e turbulenta. Achei diários antigos, li, ri, reli - o melhor de ver o tempo passando é rir de si mesmo, rir das convicções ultrapassadas. Mechi em fotos de quando eu era pequena, branquela, igual. Vi fotos de Burlington, de Miami, deu saudade de forma que eu as guardei de qualquer jeito...

"... E parecia-lhe que certos lugares da terra deviam dar a felicidade, como planta peculiar ao solo que não se dá bem em outra parte "

É bem isso.

Eu cresci com os livros e eu nunca fui lá muito fã dos clássicos, mas Flaubert realmente tem me impressionado.

Pois bem, agora que as estantes do meu quarto, os armários, as gavetas e as prateleiras estão limpas, falta eu fechar os olhos e ir ajeitar os cômodos da sala oval que é a minha mente. Agora isso vai exigir sacos, caminhões e transportadoras...

Eu sequer falei da coincidência. Eu ainda muito assim, mudando de assunto e indo fundo no assunto, até achar outro e... Bagunça. De qualquer forma, a coincidência é que eu planejava "desovar" só quando estivesse mais perto de eu ir para a Rússia, deixar tudo de forma que quando eu voltasse estivesse habitável para a segunda pessoa que irá voltar. No entanto, parece que meu subconsciente assimilou que eu entro em um avião hoje e deu pane, me pondo a "desovar" seis meses antes...

Se o meu ano for antecipado assim, eu consigo prever um ano impecável a frente. È o que diz meu horóscopo anual, me enchendo de esperança, e especificando meses ótimos exatamente no segundo semestre.

Ironias da vida; levar a sério ou só rir e segiur em frente. Eu levo a sério rindo e vou seguindo em frente...

E é só o começo, quatro sacos agora, eu não sei até aonde eu vou conseguir ir e o quanto eu vou conseguir juntar...

I'm on my way.

Eu quero dizer, a quantas vai estar meu coração quando eu ouvir no pouso "Bem vindos a Moscow, são cinco da tarde no horário local, o clima está congelante e obrigada por escolher nossa companhia aérea"

Bem, quando eu ouvir isso eu tenho certeza que só os cacos vão se dirigir pra pegar a bagagem. Vamos ver o que vai sobrar de mim.

ALIÁS, eu quero seguidores do blog, senão eu ameaço não postar nessa joça enquanto eu estiver na Rússia.

Hoje acordei meio tirana. hahaha.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Tudo mais

Hoje quando eu peguei o ônibus de volta pra casa, do colégio, eu vi um cara esperando um ônibus que, meu de-us, fisicamente, ao menos, ele era o homem da minha vida.

Existem fatos bizarros na minha vida que me remetem sempre a PRAIA. Eu sempre vejo de relance os homens da minha vida na praia, seja no Brasil, em Camboriu, ou em Nice. Juro! E sim, o cara do ônibus tava na parada de ônibus da praia.

Em Camboriu aconteceu que um ruivo me pára na praia e me chama pra sair no outro dia. Quem me conhece sabe que, he he, eu tenho esse problema com ruivos. E sim, fique curioso(a) com o desfecho da história.

Eu queria fazer um feedback ao post da Letícia, sobre Heteros x Homosexuais. E eu sei que já está bem claro que, graças ao potencial masculino desse mundo (hahaha!), eu sou hétero - demais. E do pior tipo que existe: machista. Sim, lugar de mulher é no tanque! Ora, minha filha, se você tem o homem que quer, vai pro tanque mesmo, a vida vai continuar com cores que tu nunca achou que existia. Porque de uma coisa uma entendo, e chama-se amor e uma pitada de chifres. É, enfim.

Mas continuando o tópico. Eu acho ótimo que as pessoas façam as escolhas na vida e achem que elas são as melhores, mas infelizmente, muitas vezes elas só estão sendo influenciadas, não é algo que partiu de dentro delas, espontaneamente, quase como uma necessidade. Eu não consigo recorrer a outro exemplo mais crítico do que o da Praça Portugal daqui, acho que quem é hétero ali é até linxado. Eu lembro de quando eu passava tardes lá com os meus amigos e desde que eu me lembro, éramos todos héteros e ainda somos.

Eu quero falar de moderação. Eu pouco ligo se o cara na fila do pão é gay ou não, contanto que ele não esteja usando plumas cor de rosa pra avisar o mundo inteiro disso. Discrição é uma coisa imprescindível. E não somente quanto aos gays e lésbicas; existem héteros lamentáveis, galinhas, toscos, com o braço malhado e a cabeça vazia, que andam no carro do papai pra impressionar as garotas. E essas garotas também são lamentáveis.

Moderação é uma palavra difícil, mas a síntese é basicamente: seja hétero ou seja gay, seja pra você mesmo, o mundo realmente NÃO liga pra tua opção sexual. Sabe-se lá em que momento ou esquina da vida tu vai encontrar a pessoa que encaixa com a tua alma, mas tu certamente vai repelí-la se na fila do pão tu estiver usando plumas cor de rosa. Há não ser que essa pessoa esteja no mesmo nível mental que você, então, bem, é o fim do mundo mesmo. Uma besta merece uma besta.

E eu me decepciono diaramente e infinitamente com o nível mental desses projetos de homem da minha idade. Isso daria outro post.

Eu até comentaria sobre o episódio ridículo que ocorreu no colégio esses dois últimos dias, mas eu prefiro manter a distância de quem o fez.

Existe essa coisa sobre arianos que TODO mundo deveria saber antes de aprontar pra cima de um. Um ariano vai preferir mil vezes deixar de falar contigo do que discutir a relação, é muito mais fácil cortar relações do que ter que levar um tombo de novo. E é aí que entra a indiferença, a vingança do ariano é a sangue frio: vai te tratar diferente, de forma que tu sinta falta de como era antes, se arrependa e se corroa por dentro. Porque se existe algo que eu sei que é constante no meu signo é o seguinte: um ariano pode ter até vários colegas, mas amigos, certamente tem poucos, porque funciona da seguinte maneira, se você consegue cultivar a amizade de um ariano, tenha certeza de que isso vai correr pelo resto da vida. Once you're in, you're never out.

Mas é lamentável, meus caros, eu sei que eu estou a anos luz de quem pensa que pode mexer comigo e sair intacto. Eu disponho de uma arma branca: palavras, e essa é a pior. Engraçado que logo quando eu mudei de colégio, eu identifiquei rapidamente as espécimes "engraçadinhas" da sala. E o mais interessante é que, em nenhum momento do ano, ou dos últimos três anos nesse colégio, nenhuma dessas espécimes tentou fazer brincadeirinhas comigo. Eu fico muito mas muito contente que o mundo saiba que eu posso baixar a auto-estima de qualquer pessoa em dois minutos por dois anos.

Faz tempo que eu não posto aqui e... Bem, muita coisa aconteceu nesses últimos dias, inclusive brigas internas, na qual, resumindo, minha densidade ficou igual a do chumbo e eu me afundei em mim, mas eu já achei o meu eixo. Eu espero que o que eu achei seja o meu eixo. Escrevi um capítulo bom do meu livro e realmente não estou com pressa, em Março fará um ano que eu comecei os primeiros esboços e eu fico feliz de ter demorado a formar as idéias e as feições dos personagens. A história chega até a me agradar agora, eu gosto muito pouco do que eu escrevo. Enfim, é só isso, vou dormir e ir viver a vida, boa viagem para todos, eu vou pra serra fugir do axé.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Projeção de pensamentos




Eu resolvi anotar meus pensamentos por alguns minutos. No meio, a caneta falhou, mas eu gostei daquilo e peguei outra caneta. Eu fico lendo o papel tentando me analisar, porque mais do que ninguém, eu quero desesperadamente me entender. Eu sempre achei que olhando por fora das situações eu julgaria como uma terceira pessoa, um julgamento meio justo, mas a minha auto-crítica só me reserva os adjetivos que eu já conheço que cabem a mim. E eu ainda tenho todo esse kharma pra colher...

Bem, basta dizer que foi durante a aula e é o que se segue.

11/02/2009
Foi idiota acordar tarde hoje, mas foi quase como ser livre.
Essa dor nas costas parece que gosta de mim e quer ficar.
Minha senhora, eu não sei o que eu quero da vida, nem se a vida me quer.
Tenho que acabar de escrever o conto sobre a mulher que era um raio.
Eu não consigo imaginar meus professores vivendo uma vida normal. POR QUE?
Odiei as regras desse português reformulado, fui usurpada. ELES PODIAM TIRAR QUALQUER COISA DE MIM.
Eu fico imaginando o que as pessoas pensam quando me vêem na rua, é lógico que tá escrito na minha cara que eu sou uma pessoa difícil de ler. Devem me julgar errado. Não que eu deva ficar surpresa.
Been there, done that.
Eu quero um saco de box na minha sala-de-estar.
Eu queria me privar de algumas verdades. QUEBRA A MÁGICA.
Minha agenda de 2009 cabe no meu bolso, mas eu não tenho certeza se eu devo por meu endereço, since it's far away I'm heading up...
Eu sempre tô indo pra algum lugar. Eu sou um desses elementos químicos instáveis demais.
Eu tenho que pensar que as minhas escolhas são as melhores. Sempre.
Eu sinto pena da minha geração.
EU QUERO ESCAPAR.
Gales...
Professor, pare de fazer perguntas óbvios e paz mundial é uma PUTA DEMAGOGIA.
Ninguém consegue esse tipo de coisa quando há um campo de batalha dentro de cada um de nós, incessante. Não, não venha me falar sobre paz mundial, é capaz de eu vomitar. E vômito é o apse da minha sinceridade, não me leve a mal.
FUCK OFF I'M FUCKIN FREEZING.
Eu não olhei pro céu hoje. ZANGUE-SE COM O SOL.
Mas ainda é 8 da manhã, portanto... Eu tenho uma chance.
If I could just fight the gods...

Acabou a folha.
Fim de arquivo.


OBS: Aos desocupados de plantão, acessem a Wikiquote e digitem a palavra Love. Damm, faz um bem danado.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Metas de ano novo e qualquer coisa que lembre de que se é vivo.



1) Tirar as amigdlas;
2) Ser ruiva, de novo;
3) Não tentar mais mudar as pessoas. Elas não vão mudar;
4) Parar de assistir TV;
5) Não deixar ninguém mudar meu humor. Esquecer o externo;
6) Plantar girassóis;
7) Amor, sem dor. Cacau puro;
8) Parar de comer coisas industrializadas que parcelam o suicídio;
9) Fazer uma tatuagem;
10) Aprender a cozinhar italiano.

Quando acabar o ano eu venho checar essa lista.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Dos nove aos treze

E o período de vida que cobre dos meus nove aos treze anos...

Foi regado de Blink, muito mesmo. Cresci à base dessa vitamina... E foi uma - merda - quando eles terminaram a banda, eu achava que ia ter um suporte pro resto da vida. É lógico que eu não sabia nada sobre o ser humano, mas aprendi bem rápido. Porque eu lembro que depois do término da banda eu mergulhei numa fase, hm, meio... DENSA DEMAIS. Duas decepções no mesmo ano, duas catástrofes.

E agora, eu posso dizer que eu vou conseguir me resgatar e que eu aprendi a dar tempo ao tempo.

Sim, o Blink está de volta, e quem disse isso foi o Mark. E quem recebeu a notícia foi uma segunda garota, crescida, apesar de ainda muito calada.

E eu sorri, foi um sorriso cheio de desespero e saudade. Mas eu não quero que fique parecendo que esse último perído da minha vida, até os dezesseis, foi triste. Mas houve seus momentos de saudade daquele trio magnífico que me fazia rir como ninguém conseguia, numa epoca que eu só tinha um namorado e umas amigas pra me segurar pela mão, eu ainda não me conhecia direito e não podia dialogar meus problemas comigo... O trio que me fez encontrar amigos quase do tamanho do meu amor pelo mundo. Hmmmmm! Finalmente. Finalmente... Vou celebrar minha saudade.

Eu vou a um show deles ainda na vida, eu sabia que era o tipo de coisa que eu ia levar pro túmulo me lamentando, quando teve um show deles onde eu morava nos EUA uma semana depois que eu me mudei foi o fim pra mim, mas agora eu vou atrás, foi até o inferno pra ir atrás das coisas que eu não fiz.

I'll be fine, it's not the fiiiirst, just like last time but a little worseee!

A única blusa de banda que eu ainda usaria com os meus dezesseis anos de idade seria definitivamente do Blink ou do QOTSA. Além disso, não seria muito sincero.



(e a foto vai ficar não-cortada assim mesmo)

Se alguém no mundo me ensinou a ser idiota e retardada, foi o Blink, quer dizer, só deve ter piorado o quadro. Eu sempre fui besta mesmo hahahah.

Diferente dessas bandas de hoje que influenciam esses coitados a andarem com uma franja simbolizando tristeza, cortar os pulsos, sentir pena de si mesmo. Credo, música é pra animar.

E eu sorri do jeito que eu só conseguia fazer quando tinha nove anos... Do tempo que eu achava que o mar era todo azul e não tinha tanto petróleo por aí, e que a Terra vista lá de cima não dava pra ver nenhum deserto ou quando eu queria chegar em casa só pra ficar fazendo anjinho de neve e nunca por causa do almoço.

I like the view.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A vassoura tá no armarinho, Obama.

"[...]

Foram duas aulas seguidas do Nonato, ele falou sobre a crise, o inédito déficit econômico do Brasil em sete anos ou mais, e eu fiquei pensando em como todo mundo pôs a corda no pescoço, nós, sendo engolidos pelo próprio sistema capitalista neoliberal. Em pensar que foram relativos trinta anos mundiais de prosperidade, oh, chegamos a um fim. O que me faz achar esse tipo de poder muito patético e me faz pensar sobre as épocas em que o poder obedecia a outras variáveis, a nobreza do sangue, ao tamanho de um exército, à quantidade de terras... Devia ser mais fácil sobreviver, devia ser fácil controlar, tudo o que nós temos agora é o Barak Obama tentando salvar o mundo. Você está pensando o que eu estou pensando, Pinky? Sim, Obama! Vamos dominar o mundo. Bem, boa sorte, não conte comigo, a minha vida não mudou em absolutamente nada, tudo são flores, quanto ao outro lado do muro, esse eu só vejo no jornal e nas aulas do Nonato. Eu vou sempre me preocupar mais como o meu cabelo está do que com o sistema financeiro mundial. You made your mess, clean it up, bitch.

[...]

Veio o recreio e eu fui curtir o meu tempo com o Buk, a biblioteca finalmente abriu, eu peguei alguns livros que vou levar amanhã, entre eles O cortiço e um de Matrizes, de Matemática, o sistema ainda não estava no ar por isso não se estava alugando livros. Eu amo bibliotecas. Definitivamente. A Letícia gastou uns minutos discutindo qualquer coisa com a Suellen, a bibliotecária e eu fiquei imersa no Bukowski, grifando, grifando e grifando

[...]"

Um trecho bem censurado do meu diário que eu chamo carinhosamente de Saco de Vômito. Aí algumas coisas que eu grifei do Buk:


" Tente se sentir melhor, o mundo inteiro é um saco de merda rasgando. Não posso salvá-lo "

" Às vezes me sinto como se estivéssemos todos presos num filme. Sabemos nossas falas, onde caminhar, como atuar, só que não há uma câmera. No entanto, não conseguimos sair do filme. E é um filme ruim "

Engraçado que quando eu ia saindo do colégio com dois livros na mão que eu me dei conta de como meu gosto literário anda promíscuo: eu tinha Bukowski e O Cortiço na mão. Comentei isso com a Letícia, e ela chegou a seguinte conclusão:

- Tu é imoral e amoral, definitivamente.

Quem lê Bukowski nunca mais se recupera então...

Eu venho marcando os meus livros com aqueles foguetinhos que brilham no escuro que a gente prega na parede quando tem 10 anos, eu tinha um astronauta, o foguete e umas estrelas, perdi o astronauta e as estrelas e me sobrou só um foguete que me lembra diretamente, sem desvios, o Gargárin e o olhar de despedida dele.

...

É.

Imoral e amoral. E péssima.