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Mostrando postagens de Novembro, 2010

Localização: em trânsito, não em uma sala de espera.

[Gales]
Três horas, sempre cedo ou tarde demais para começar a fazer alguma coisa, disse Sartre, de algum modo melhor do que eu parafraseei. Ao que eu vejo que por três horas ele quis dizer só não três horas da tarde, mas da madrugada, essa parte do dia onde há silêncio nas maiores das metrópoles. È verdade que eu poderia começar a falar de estrelas e ser piegas sobre a tranquilidade que elas passam às três da manhã, mas serei piegas de outra forma. Recentemente fui à locadora, porque eles vendem esse iogurte lá agora e não porque eu queria alugar algum filme, creio que assim como as lojas de CDs, as locadoras estão com os seus dias contados, e o ato de alugar um filme ou comprar um CD é hoje em dia meramente simbólico - com uma incrível fonte de ilimitação que é a internet, se faz isso tudo de quatro paredes. Pois bem, vi Julia Roberts, logo quem não atuava há tanto tempo, eu não esperava que ela voltasse, na verdade até esperava, mas queria ter sido avisada. "Comer, rezar e amar…

Um ser herói

Um ser herói
Eu tenho todo o tempo
do mundo
eu posso
ter o
mundo
(rodando
só quando
eu der
corda)
Reino de ser
meu rei
faço castelo
de
areia
e controlo a inflação
das emoções
Nos limites das minhas
rochas
(entranhas)
(paredes)
(limites)
(vontades)
(loucuras com forma desenhada
de mim)
Eu pulo
se cortar não
dói
só corta
Eu conto
os peixes
mas só porque
aprendi a contar
Eu conto as horas
mas só porque
não sei
como
elas
se enrolam
para
passar
Eu tomo esse gole
sabor
de infância
Como era fácil
ser herói
ser rei
desencanto
mesmo quando
o homem
ainda
dançava
a mesma
dança
(disforme)
(e eu tinha que sempre olhar
pra cima
todo mundo era tão
alto
e sabiam melhor)
Como era fácil
ser herói
quando o corte
só cortava
Quando a cicatriz
era
medalha
Quando se jurava uma vez
se acreditava
Como era fácil ser herói
ter acesso
às dimensões
aos buracos negros
da felicidade
Eu vinha, saía,
voava, voltava,
rodopiava, pulava,
licença poética,
que vou pular
(pra lá
de volta
te deixo bilhete
não bebe o café
que ele está
velho)

O céu é tão bonito
que deu essa
sede
de mergulhar
des…

Minha II Guerra Mundial é pessoal.

Esse poema foi a primeira vez que apostaram em mim. Que quiseram me publicar. Ele significa bastante. O bastante. Eu tinha treze anos e foi provavelmente a primeira publicação que saiu da gaveta.

MINHA II GUERRA MUNDIAL É PESSOAL

Acordar em 1938 em meio a um turbilhão de flores com cores
Flores que perdi na Guerra em meio as dores
A tristeza matinal do soldado que voa com os eternos beija-flores
Os beija-flores que em ti encontrei, que em ti perdi
Acordar em meio a uma Guerra,
Soldados lutando pelos seus amores perdidos no canhão, na multidão

Dormir para escapar dessas paredes de cérebro
Que me torturava e me matava mais que o cruel inimigo
Eu era a cópia do soldado mortou ou viria a ser
Eu não era o mocinho nem o vilão, era um soldado infiltrado na multidão

De repente acordo nesse turbilhão de dores sem cores
Depois de 1945 o Mundo nunca mais foi o mesmo
Não é do Mundo que sinto falta, são das flores que não posso proteger
Agora eu era soldado, mas não sabia depois
Talvez caçarei borb…

We don't need whys, but here are some reasons why you should.

I remember it was not so cold anymore and we were having this constant Kafeinya pizza mood, and there we were, ordering another one, dear Andrushka just smiled at us. I was waiting for Tati, Syd and Valya, the girl that just travelled to Portugal, I was to teach her some portuguese before I came back home. I had so much fun with that, I'm so proud of this language, it's sweet, soft, and seems to just play along. And winter just ended. So what now? We had gone crazy indeed. How crazier can we get. So there we were, Tati and Syd eating a pizza while I read some Camões to Valya, speaking one portuguese, the sound of it, was already so awakward, I should probably call Sophia and share that horrible feeling. Where did my mother language go? And doesn't Camões sound the same? But as I said, how crazier could we get. Camões left the room. Me, Tati and Syd started to make a list. Actually, we met just to do that. And I'm so proud of this. The list goes.

(It starts at 51 because…

Cemitério florido por opção.

Era um cemitério. Seus belos epitáfios cobertos de lodo e de negação, a canonização de quem morre é algo tão previsível quanto a morte em si. Passamos a ser os bons maridos, as amáveis esposas, o grande amigo. Quem diz é a pedra. A total ausência de vida debaixo de uma grama tão bem cuidada. Podada. Uniforme. Padronizada. No protocolo. Debaixo dela, Augusto dos Anjos sái das linhas e encontra motes. O interessante sobre o cemitério é que ele não é feito apenas de terceiros, é muito fácil achar partes e pedaços nossos perdidos por ali. Houve essa situação aqui no prédio, a mãe dessas meninas deixou-as mais o marido, ela que morreu de algo como um câncer, e toda vez que eles pegavam o elevador desde aquele dia eles recebiam os olhares, as condolências, que nada amenizam só reavivem, e saiam pela porta metálica carregando sua cauda da morte, que era mais visível para os outros que qualquer coisa. Nunca fui amiga das filhas. Nós nunca seríamos amigas. Eu era estranha demais no colégio par…