quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Um ser herói

Um ser herói
Eu tenho todo o tempo
do mundo
eu posso
ter o
mundo
(rodando
só quando
eu der
corda)
Reino de ser
meu rei
faço castelo
de
areia
e controlo a inflação
das emoções
Nos limites das minhas
rochas
(entranhas)
(paredes)
(limites)
(vontades)
(loucuras com forma desenhada
de mim)
Eu pulo
se cortar não
dói
só corta
Eu conto
os peixes
mas só porque
aprendi a contar
Eu conto as horas
mas só porque
não sei
como
elas
se enrolam
para
passar
Eu tomo esse gole
sabor
de infância
Como era fácil
ser herói
ser rei
desencanto
mesmo quando
o homem
ainda
dançava
a mesma
dança
(disforme)
(e eu tinha que sempre olhar
pra cima
todo mundo era tão
alto
e sabiam melhor)
Como era fácil
ser herói
quando o corte
só cortava
Quando a cicatriz
era
medalha
Quando se jurava uma vez
se acreditava
Como era fácil ser herói
ter acesso
às dimensões
aos buracos negros
da felicidade
Eu vinha, saía,
voava, voltava,
rodopiava, pulava,
licença poética,
que vou pular
(pra lá
de volta
te deixo bilhete
não bebe o café
que ele está
velho)

O céu é tão bonito
que deu essa
sede
de mergulhar
desventura
de um
ser herói
(aposentado)
(no mesmo ritmo
instantâneo
que mergulho
desmergulho
- de birra -
sou
minha demais
o mundo é meu
demais)
Era muito fácil
ser
um
ser
herói
E muito fácil
Não quero

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