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Mostrando postagens de 2012

A maré cearense

Aos avós que apesar de não serem cearenses, são casa; e à beira da praia e o vento das cinco da tarde.

Pensei em dizer
que
virei turista do lugar
que me ensinou
a odiar petista
Mas rimava muito
e aí joguei fora
Mas pela tristeza da distância
e as anti-medidas da saudade do outro lado do Atlântico
dos amigos e dos sorrisos
do cachorro
da família que é da terra de ouro
Continuei
por teimosia
pra bulinar

Que já não sei vagar pelas ruas
que não conheço os bares
ou os hábitos
as modas
longe, desconheço a política
Fortaleza abstrata
tré-abstrata perante tamanha miopia
e tanta distância

Mentira
saudade não mata
Verdade é que
dá fome de ter
o que foi e deixou uma marca de sorriso em algum ventrículo ou átrio
do coração
com a participação
de um sorriso de canto
de quem lembra
e ama outra vez...
Saudade é correr por um abraço
qualquer distância
sem sair
do lugar

Saudade é a
insistência
de amar

E aí lembrei que
virei turista
do lugar que me deu maré
para navegar até aqui.

O marfim do meu amor

A ti

Se eu resolver
vender o meu
amor
por ti
nesse antiquário
pela Arbat¹
vão ter que fazer
um bom negócio
porque isso é feito de
marfim
rubi
diamante
pedra famosa
pedra cara
tudo que brilha
tudo que fascina
tudo que tira o fôlego
e me leva junto
e o elefante desse marfim
foi Salomão*
e mais poesia que isso
falta em qualquer outro
negócio
amor
pedra
coisa
tudo
Mas eu não vendo
não
Eu vou é
te levar no bolso
até onde eu queira.

¹ uma rua famosa turístia de pedestres em Moscou

* O elefante, Saramago

Carta ao caro leitor que espera o ônibus

Caro leitor,

Eu não fui a lugar nenhum. Nem sequer me mudei. Nenhum furacão desde Novembro do ano passado. O que aconteceu se explica com muito latim e muita insônia (chama-se: plantões, tardes revirando cadáveres em um laboratório, cansar os olhos com microscópios).

E você que se interessa sem ao menos me conhecer, que é mesmo assim tão apaixonado por uma bonita ordem de palavras? Admiro. E admiro sem ironia a gente que tem o tempo e a paixão e o tempo para ter a paixão, obviamente não são médicos.

Eu admiro quem ama a palavra.

Sigo em anos de busca, e totalmente suspeita, repito: quem é que vai superar esse português? Todo enfeitado com acentos que desde a pouca idade sempre vi como "jóias", deveriam imaginar que bonito foi entender e saber escrever as palavras "avô" e "avó". Cada um com uma jóia diferente. Um enfeite.

Aliás, o cidadão-leitor deveria imaginar a minha caminhada ofendida do passo forte na rua Novaya Arbatskaya, em direção ao metrô, depoi…

Os obstáculos que certas formações anatômicas podem ser para impedir que se chegue a uma aposentadoria decente em um trailer e tudo ligado a isso.

Poema ao meu décimo nono aniversário

Eu quero todo
o impossível
(cruzando a rua fresca de chuva acompanhada da
mochila de dez anos
o zíper quebrado)

Hoje é o climax do dia que
eu tenho tudo
e não preciso de mais nada
por isso invento
necessisdades
só pela busca
mirabolar

Se você me vier oferecer
seus desejos
e as realizações
Vou dizer-lhe que
não há desejos
que me apago as velas assim
em silêncio
há simplesmente fatos
há o reusltado
de anos desejando

Aliás obrigada, mas vá
descansar
eu vou só
com o meu amor
com o meu português
com a coleção de sorrisos
e o timbre do riso
da felicidade
assim que
quase me estourando os
tímpanos
(só é utopia)

Que vá descansar
porque eu
aprendi a
viver
com esse cérebro
E viver afoga
(qualquer tristeza)
Saber viver é saber
conjugar o ato
de ser (feliz)
Eu conjugo em português
eu venho e volto de dezenove
formas verbais
diferentes

Descanse porque eu
quero é
vida
(em presente perfeito conjugado neste
distante litorâneo português vivo)
e o vento na
cara

O di…