sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Meu negócio é com o pão.



Publicação dedicada a um amigo que não vem falar comigo uma vez ao ano para pedir favores. Esse texto começou em uma sexta-feira, descansou uma semana inteira e só pontuou na outra sexta-feira, hoje, que vim aqui com a epifania do ponto final.
Eu já tinha espirrado tanto que todo mundo no escritório não dizia mais “saúde”, teria sido uma péssima idéia vir ao trabalho hoje, pensava, entre um espirro e outro. Mas existe algum dia que ir a um trabalho, especialmente quando ele é sobre várias pessoas do mundo inteiro ligando em uma linha que termina no seu ouvido (inflamado desde a semana passada, obrigada), te ajuda. Todo dia que eu saio do trabalho eu penso: uau, minha vida não é tão tosca como de todas as pessoas que ligaram ou escreveram hoje.
Aqui está o que o Iv me enviou, no meio da insignificância de mais um dia de previsível labuta:
Me ajude entao, por favor.
Sou aqueles amigos que mal falam com voce e vem pedir favor.
Andei lendo uma materia sobre James Gates, um "theoretical physicist" da Universidade de Maryland, que trabalha com a "String and Particle Theory" disse que em certas equacoes super simetricas, que (em teoria) descrevem a natureza fundamental do universo e como ele trabalha, foram encontrados codigos de programacao de computadores. Estes 1's e 0's sao os mesmos encontrados em navegadores de internet.


Agora vem a minha parte. E se antes de voce, o universo nao existia. Nada disto existia. Em uma realidade paralela a esta, em um universo paralelo, alguem conecta voce a este simulador e pronto, voce esta nascendo na terra. Suas emocoes, verdades, e tudo que representa o universo nao passa de uma simulacao. Como Timothy Leary disse "a verdade esta nos olhos de quem ve". Pois se pararmos para pensar, a unica certeza que eu posso ter eh de que eu sou racional. Pois vivemos hoje em um universo onde computadores se auto-programam. E se nos, neste simulador, estamos criando coisas novas. O video game, por exemplo, seria uma simulacao dentro de outra simulacao. Tipo o filme Inception.

Eu ainda nao terminei o pensamento, mas ainda estou buscando uma forma de coloca-lo em palavras.
Imagine voce, sentado ai na cadeira, tem uma parada cardiaca e morre. E em outro universo, voce tira o capacete e diz: - Caralho! Essa jogo "Planeta Terra" foi foda.

Há muito tempo atrás na escola eu era uma pessoa com todos os seus pés atrás e sem muito interesse na gente e mais interesse nos livros. Nessa época eu comecei a ler livros darwinistas, fisico-quanticos, enfim, tudo o que que tivesse a boa vontade de querer explicar a grande pergunta “por que”. O que eu não sabia nesse tempo era que não era a resposta que eu deveria buscar, e sim a pergunta, vou explicar o porquê.
Entre Richard Dawkins e Stephen King, eu me apeguei mais uma obra de ficção que tem dia marcado no meu calendário todo ano: O Guia do Mochileiro das Galáxias (checar Dia da Toalha).  O livro usava o humor e muito fundamento científico para ridicularizar o nível de complexidade e hierarquiedade na nossa sociedade, um sistema tão complexo criado por nos mesmos quando não conseguiamos responder perguntas tão simples como quais são todas as funções de uma toalha ou por que o mundo ou por que um homem de duas cabeças e duas opiniões governava o universo (deu pra entender a analogia com a vida real?).
Douglas Adams, o autor, nunca parou. Ele fez graça da natureza humana enquanto tentava nos explicar que existia um plano para tudo isso que ninguém se interessava em entender. Foi quando um cara com um roupão se encontrou na obrigação de fazê-lo.
A série de livros revela logo no começo: a resposta  é 42. O caro leitor lê todos os livros do DNA (aka Douglas Adams) se perguntando não qual é a resposta, mas qual é a pergunta? Bem, um computador havia sido programado para dar a resposta e ele deu, quarenta e dois. Quando o mesmo computador estava prestes a revelar a pergunta para a resposta o mundo acabou.
O livro viaja, dá importancia aos golfinhos, aos ratos de laboratório, mas deixa uma pergunta no ar a qual todos que lêem se sentem vulneráveis: e se nós somos o experimento, e não os ratos? Por que pensar que nós somos os seres mais inteligentes e racionais se não damos o luxo nem de tentar julgar outras indecifráveis espécies de inteligência, que pulam bem na nossa frente o tempo inteiro?
Os livros do DNA são mais cheios de pergunta que respostas, mas os grandes livros são assim, eles não acabam no ponto final, eles latejam na sua cabeça por meses (anos!).  Os que não têm nenhuma influência acabam aí no ponto final mesmo (aquele livrinho de ficção que você comprou no aeroporto pro vôo... voar).
E olhe, eu não sou cheia de megalomania, eu sei que o ser humano é totalmente insignificante. Mas o que somos nós, por que nós?
Eu desci o nível da conversa, literalmente. Desci o nível molecular. Volto a uma idéia que me ocorreu há algum tempo.
No nível celular da vida, as coisas não são tão diferentes como a vida real. O sistema imunológico é composto por vários tipos de células, tais quais como macrófagos, neutrófilos, basófilos, eosinófilos. Eu sempre vi cada uma dessa celular no processo de realização da resposta imunológico como diferentes tipos de médicos. Um mundo em um mundo em outro mundo. Por exemplo, todos essas queridas células estão em campo de guerra no meu ouvido interno nesse momento, até que os invasores saiam daqui pra fora.
Também tem o caso dos advogados “celulares”, os juízes, os que guardam a lei. Para uma célula se multiplicar, ela precisa multiplar o seu material genética, que é o DNA, o ácido desoxiribonucléico.
O processo de replicação (duplicação, em outras palavras) é coordenadora por uma série de diferentes fermentos que verificaram e reverificaram o que está sendo copiado. Um erro é passado adiante e é copiado e o problema vira exponencial. Estamos mutando o tempo inteiro, um gene chamado p53 é responsável pela apoptose (morte programada da célula) da célula mal replicada, só que ás vezes essa célula errônea continua aí e acontece o que nós conhecemos por câncer – uma bagunça no processo judicial celular.
Os hepatócitos, as células do fígado, funcionam como uma rede de tratamento de água (nesse caso, o sangue). O que é de gordura, colorante ou conservante passa por aí e deve ser eliminado por aí. Quando os nossos químicos, os hepatócitos, falham, as toxinas se acumulam e a a “água” deixa de ser potável.
Eu poderia passar o dia inteiro aqui falando de histologia e sobre cada célula, de como esse mundo funciona.
Vamos ao ponto.
Ser humano é ser megalomaniaco, dar tanto importancia a capitulos de um mundo que nem é importante, estamos tão absortos na idéia que o Planeta Terra é tão incrível e somos tão importantes no universo que vamos seguir nesse mesmo pensamento até que tudo exploda de novo.
Vai ser o Dia.
Uma trívia interessante: o número de suicidas do curso de Física da Faculdade Estadual de Moscou é um número que não se deve ignorar. O que eu quero dizer é, aqueles que realmente levam isso de entender a vida, o universo e tudo mais a sério e como profissão, que acham que há mais lá fora e deixam a megalomania para o cidadão pacato, são boa parte dos que se suicidam na MGU (Universidade Estatual de Moscou).
Além disso, quem aí não viu Fringe e pensou: e se o outro lado é só alguém jogando o mesmo jogo (como o Iv mencionou no final), mas o jogando com habilidades e em um ritmo diferente, com resultados evidentemente distintos? Tipo a fita do pokemon, e o seu amigo conseguiu o Psyduck e você teve que se contentar com o Bulbasauro (a.k.a. frustração).
Sabe quando a sua avó dizia que não via novela porque a vida dela já era uma novela. Troca a palavra novela por videogame. O conhecimento popular sabe de coisas que até os próprios ditos conhecedores não se dão conta que estão nas entrelinhas de suas próprias palavras. Quero dizer, seja lá o que estiver acontecendo no outro universo do Fringe, o videogame aqui já tá pegando fogo.
Um universo já é suficiente para as sinapses que temos em nossa disposição.
E juntando os dois pensamentos fica mais ou menos assim: então existe sim o universo paralelo, e daí em qualquer um dos universos paralelos existe micromundos dentro de micromundos.
Um universo dentro do outro (o exemplo do mundo celular) se repetindo um tanto quanto tediosamente. As profissão são as mesmas, os nomes são outros.
E é exatamente aqui que eu quis pontuar o texto, mas foi no ônibus que me ocorreu.
Que o mundo é tudo que cabe nele e o que cabe o mudno dentro é uyma reviravolta de palavras, se repetindo que o mundo dentro do mundo do grande mundo cabe nesse mundo – é a matrioshka, é o espaço e o tempo relativo (um minuto para a gente é uma vida inteira para muitas células).
Se quisermos viver em paz há de ser megalomaniaco mesmo e pensar que não há nada maior que este mundo. Que essa é a matrioshka de fora, e que somos parte integral do sistema.
Se quisermos que o mundo faça sentindo teremos que nos limitar com essa idéia, viver em paz com esse conceito, esquecer o que está fora e que estamos dentro de outro universo, mundo. O jeito, parece, é voltar ao pensamento arcaíco, adquirir uma visão periférica de cavalo (ou seja, nenhuma), de que o mundo é plano e que isso é tudo – apesar das estrelas nos contarem outra história, que aí vejamos só a beleza e que engulamos que o universo é finito e que aquilo tudo é um painel, deixa o além pra mais tarde. Quem entra em paz com essa idéia de mundo encontra a paz. E a paz provavelmente é o que busco mais – e na busca da mesma, há que praticá-la, quase como tirá-la do ar antes de realmente encontrar-la, e dá-le forma e passar a vê-la em sua verdadeira forma: que paz é controlar os nossos pensamentos. Pular a música quando necessário.
O mundo pode ser paz – é só esquecer do infinito e viver a nossa mediocre existência em paz.
E não é a toa, afinal, que eu tatuei a palavra paz e mundo (que em  russo é só uma palavra). Acho que o incrível de tatuar uma palavra é que a cada dia ela se muta e toma um significado diferente.
Daí agora eu realmente achei que ia pontuar esse texto, quando eu ouvi um senhor no ônibus falando:
“Что может быть дороже члеба во время таких потрясений? Мы были в первом классе и кусок хлеба, если его было, было всё что мы могли видеть, вокруг не было важно что шла война. У нас были дела только до хлеба
“O que pode ser mais caro que pão em épocas de tantos conflitos? Nós estámos na primeira série e um pedaço de pão, se o tivéssemos, era tudo que podíamos ver, ao nosso redor não importava que havia uma guerra mundial. O nosso negócio era só com o pão. “
E infelizmente é isso: para quem quer entender a guerra (o universo), boa sorte, eu fico feliz com o pão (a ignorância, a visão periférica de cavalo). Meu negócio é com o pão.
Pontuo.  

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