terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Moscou nunca morre


[Verão passado em Moscou, em uma fonte que fica na Praça Vermelha, pryamo vot tak!]

Precisávamos no mínimo falar MUITO e ouvir QUALQUER COISA em português. A distância da definição e do reconhecimento de uma língua materna só aumentava e francamente, a neve consegue piorar qualquer coisa, não importa o que ela seja. Seria uma noite calma no hotel, deixar o booze de lado, então ficamos no quarto vendo Jean Charles, aquele filme do brasileiro que é morto no metrô de Londres porque fora confundido com um terrorista. Na manhã seguinte estávamos em Moscou, depois do atentado ao metrô, as palavras que se podia pegar no ar eram: bomba, metrô, Lubyanka (a estação). Entendi isso quando cheguei a estação, em outro trem, e ela estava cheia de flores. E se eu tivesse acordado mais cedo? Daqui a pouco o Jornal Nacional estaria lamentando a minha morte. Poupei o Brasil disso, gravamos um vídeo na frente da estação (preguiça de upá-lo, mas é uma chacota do tipo "Eu estou aqui na frente da estação e estou viva. Pronto? Viva. Oi mãe"), só para que o Brasil tivesse certeza de que estávamos vivas. Aliás, toda essa coisa de assistir Jean Charles, mortes no metrô...? Ficou na nossa cabeça. Moscou estava vulnerável, quanto a nós, pior ainda.


[Lugar onde ocorreu o atentado no Domodedovo e eu dormindo]

Domingo escrevi no twitter que ia viajar e aconteceu o maior mal-entendido, gente achando mesmo que eu estava do Domodedovo chegando em Moscou. Acontece que eu ainda nem saí do Brasil. E ainda por cima, a Globo faz o favor de relembrar todos os atentados que ocorreram na Rússia, isso quer dizer, recebi ligações de parentes esperando que eu desse um bom motivo para continuar morando lá. Eu não tenho um. O único que eu tenho consiste na hipótese de que a energia do lugar me apazigua muito e a Praça Vermelha é uma das melhores visões do mundo.


[Matt Damon sobrevivendo Moscou, e adiantando o próximo post, com o melhor sotaque de americano falando em russo que Hollywood conseguiu produzir até hoje]

É difícil ser um país com relevância geopolítica, as bombas vêm junto. Não se engane pelo concreto e pelas edificações, Moscou e qualquer cidade na mesma linha é uma selva e o resto é sobrevivência.

E enfim acabei de escrever a última palavra no "Pão-com-açúcar", vou manter o título, mas mudei a história um tanto, por isso deletei o que já estava publicado aqui, e não sei se quero publicar antes de Abril, gosto de deixá-lo assim de molho, até eu sentir que está mais que OK. Não gosto dos meses antes de Abril. Não sei explicar, não gosto das cores deles (sim, eles têm cores). E tampouco gosto de carnaval. Ano passado descobri que era Carnaval quando algum russo me perguntou no corredor se estava todo mundo pelado no Brasil e eu perguntei por que diabos estariam todos pelados.

Fiquem na espera, se ela existir.

Leituras interessantes: "Psicanálise dos contos de fadas", "Mulheres que correm com lobos" e uma edição de capa dura linda dos contos dos Irmãos Grimm. Me joguei nisso e amei. Agora estou relendo Senhor dos Anéis de novo, só para me reafirmar na frente de Harry Potter.


E francamente, Moscou vai sobreviver. Essa cidade já foi bombardeada pelo menos mil vezes antes, recontemos as guerras? Não. A gigante vermelha continua.

Pontuo.

Um comentário:

Maísa disse...

Acho que nesse post eu não encontrei nada exatamente novo mas eu precisava pontuar que a última foto é sensacional! E, cara, wtf, é o Damon mesmo?