quarta-feira, 21 de abril de 2010

Efeitos colaterais de ter um útero


É muito difícil ter um útero. Eu vim do colégio querendo matar ornitorrincos à sangue frio e sem uma vez sequer olhar que cor o céu tem hoje. Chego e morro ali mesma, a cama convidativa como um abraço, e todos os abraços que eu deveria ter tido ontem e não tive. Ontem foi o meu aniversário. Há exatamente 17 anos atrás eu resolvi que nasceria no dia 20 de Abril, dividindo o bolo, de lá pra cá, com a minha Avó, que é aniversariante no mesmo dia. Quando eu tinha uns onze descobri que Hitler também nascera nesse dia. Tentei analisar os três pontos, conclui que vintes de Abril já houveram muitos e pessoas demasiadas resolveram nascer. Não, eu não acho que pessoas demasiadas seja uma expressão que se conecte a "China".

Eu lembro de ter acordado com sede, uma sede de quem beberia o Tietê mesmo se ele não fosse o último dos rios. Vou andando com as mãos na frente sem conseguir abrir os olhos, peguei o copo de matrioshka e a minha pateticidade e bebi uns duzentos ali mesmo, olho para o relógio... Quatro da manhã. Eu nasci às quatro da manhã. E a coisa que sempre irritou sobre mim é essa minha sede e insatisfação e a necessidade de movimento - praticamente tudo que eu faço é conectado com isso, conclui-se que eu vivo nessa relação parasita com os meus defeitos. Tem gente que acha que é qualidade e os inveja. Tentei comprovar a veracidade do fato e segundo o fuso-horário, toda a Poesia de Acordar as Quatro da Manhã com Sede no Horário que eu Nasci perdia seu crédito. Mas eu tinha perdido sete horas da minha vida no avião vindo pra cá, e os cálculos ficaram sendo calculados enquanto eu bebia mais copos como manda o Clube da Luta. Se eu perdi sete horas, então eu tinha ali e naquele momento dezessete anos rigorosos e fieis. Eu acho que as pessoas deveriam se tornar super sayajins em momentos como esses, de exatidão e quando a matemática faz sentido, mas nada aconteceu. Ainda sem conseguir abrir os olhos direito e carregando o meu estado foto-sensível pós-despertado, dormi, desmaiei, qualquer coisa.

De manhã, quando a luz invadia a janela e aquilo me irritava... Não, era um péssimo dia para um aniversário. Eu não sabia se culpava os gregos, pelo calendário ou a Rússia por não ter feriado de Tiradentes - o que sempre me permitiu no Brasil fazer qualquer tipo de festa até qualquer hora que eu quisesse. Culpei os dois. Não sei porque diabos não enforcaram um homem barbudo por aqui no dia 21 de Abril. Que burrice, uma nação inteira.

Peguei umas roupas que eu não usava há pelo menos uns seis meses. Talvez eu devesse começar a me forçar a gostar daquele dia. Dezessete, que número ridículo. Ímpar. Sem simetria. O que não me permitia nem doar sangue, nem dirigir, nem ser presa. Ter dezesseis pelo menos fez mais sentido por um ano inteiro. Mas eu já podia votar. E daí, democracia é um regime que não é comunismo pelas bases de que "vamos ver no que vai dar se fingirmos que todo mundo pode sem repressão realmente dita". Talvez se eu tivesse nascido, digamos, em Marte, teria uma idade par. Mas daí já não sei quão são os lucros de ter uma nacionalidade (abrangendo o conceito) de Marte.

Pela Cultura do Papel, no dia 20 de Abril de 1993 eu havia sido registrada filha da Senhora Minha Mãe e do Senhor Meu Pai. Mas juntando a infância e a sua mania de apagar memórias, a vida começou em seqüências, e não em fragmentos perdidos que não fazem sentido e que são desconectados de tomadadas, aos oito anos. A primeira lembrança que eu tenho da vida é esse corredor de hotel. O Sol lá no fim. Uma loucura, eu ia ter o Sol. Eu tinha três anos, se a loucura não me engana. Desde então eu tenho tentando pegar o Sol, o que creio eu explica toda a minha relação com o Vincent (van Gogh), já que ele me dá a impressão de que os girassois são one way to catch the sun.

E o dia começava tão errado. Todas as pessoas que eu deveria ver, todos os amigos que eu tinha o direito de abraçar, do outro lado do oceano e eu não sabia se eu nadava tudo hoje e dava tempo ou deveria ter começado ontem, e o que acontecia com a distorção do tempo e dos fusos-horários em uma travessia a crawl do oceano Atlântico. Tomei café da manhã, minha mãe e minha irmã parecem gostar de mim. No Brasil eu sempre adorava meu aniversário porque eu acordava cedo e começava a ditar o que eu queria porque era meu dia e ninguém podia me contrariar. Quando passava da meia-noite as pessoas ao meu redor começavam a se sentir aliviadas. A autoridade que se imprime do lado dos outros defeitos continua sã e gorda e saudável.


[Na falta de velas, jogue uma garrafa e faça um desejo, "I want life to be as crazy as it is, I take the good and the bad and I make a party out of it"... Ou você vê lixo, ou vê desejos.]

Mas olha, eu estou aqui olhando para esse balão e a vida aqui do outro lado do Atlântico me deu um aniversário descente. Isso eu só descobri às quatro da tarde. Doze horas depois da sede. Com dezessete anos e doze horas eu caminhava até o Globus para encontrar a Tanya.

Meu deus. Eu-fui-para-a-escola-no-meu-aniversário! Que GAFE! É ÓBVIO que isso não durou duas aulas e eu matei o resto das aulas, permitindo-me pegar um ônibus que me levasse até o outro lado da cidade só para eu ir ouvindo meu mp3 e refletir sobre o significado que aquele dia deveria ter e não estava tendo. Na aula de história meu celular toca e começa a falar em português de novo, desse vez eu sabia quem era, porque o episódio se repetira há alguns dias atrás, e isso vindo da Samantha era muito normal por vários motivos, foi o único parabéns que eu levei a sério naquele dia. Não que eu esteja menosprezando todo o resto, mas foi o primeiro em português, e eu senti que se eu não falasse português no meu aniversário aquilo tudo estaria muito, muito errado. Um senhora se aproximou na parada de ônibus me perguntando qual ônibus ia para a Tsentralni Rinok, lembrei de quando fui encontrar a Natalya e todo o episódio da joanete lá, disse 40. A senhora não me disse Feliz Aniversário, com o balão agora está me dizendo. Na escola gente demais o disse, e alguém gritou em algum momento "S dnyom rozhdenya Hitlera!" [feliz aniversário, Hitler!"]. Não, eu não escrevi Hitler errado, o "a" é uma declinação. Peguei o troleybus porque sabia que ele ia mais devagar que os ônibus comuns e fui ouvindo qualquer coisa entre Blink e Adriana Calcanhoto. Well, I guess this is growing up.

Cheguei no shopping e procurei qualquer coisa material que me desse um mínimo de alegria, era meio-dia. Resolvi que deveria comprar um tênis novo porque o meu all star de cinco anos me diz que não durará o sexto. Entro nessa loja e tem essa prateleira inteira de sapatos brasileiros. Life has a funny way of screwing up with you. Eu ri. Sandália Ipanema, Grandhena, tudo fora de lugar e dimensão, em Kirov, meus caros, eu disse Kirov, uma cidade batizada com o nome de um cara que nunca pôs os pés aqui, a cidade com o maior índice de gêmeos e alcoolatras de toda a Rússia - não sei como as estatísticas de combinam.

O mundo se torna tão tolerável com boa música. Oh, sim. E ainda mais quando assistentes de loja não te enchem com polidez porque você tem fones nas orelhas. A incredulidade deu lugar a veracidade e deixei os calçados brasileiros lá e suas grandes etiquetas "BRAZILYA". Resolvi que precisava mesmo de calças. Uma vendedora ao me ver com calças na mão perguntou se eu não queria que ela pusesse-as no provador. Achei audacioso ela perguntar isso com toda a coisa dos fones nas orelhas. Ok. Comprei as calças e fiquei esperando o troco por dez minutos, o que fez a guria do caixa querer morrer por dez minutos, eu não acho que o meu olhar seja tão esmagador assim. Talvez tenha sido impressão minha. A verdade é que eu não queria comprar nada. Preguiça de lojas. Preguiça de compras. Depois de desistir de ir ao cinema, porque uma vez eu prometi a mim mesma nunca ir a cinema nem a aquapark sozinha, resolvi que ia para casa ver meus e-mails e assistir Hell's Kitchen. Meu facebook me mostrava meus queridos italianos me parabenizando e aquilo começou a fazer sentido, o chef do Hell's Kitchen ficava puto na incompetência de se fazer um omelete. Comecei a rir sem me sentir na obrigação de realmente o fazer. Falei com a Sophia no skype - existe esse horário que eu entro na internet e só realmente quem mora na Rússia está online. Algumas horas depois, duas, talvez, meu irmão e meu pai chegam em casa. Eles têm que viajar e eu que ia de saída encontrar com a Tanya digo que sim para o chá. Subo lá em cima no meu quarto e pego a blusa do Brasil que eu fiquei de dar para o meu irmão, lembrando que no Brasil existe mais a cultura do aniversariante dar coisas do que realmente ganhar. Lembrancinha foi uma palavra que me fez rir pela falta de uso nos últimos nove meses. Comemos uma torta, com a minha mãe também, torta praga, ela lembrou. Eles me deram uns albuns e um cartão, eu definitivamente estava precisando do álbum.

Corri para pegar o ônibus e ir até o Globus encontrar a Tanya.


[Jesus, assíduo freqüentador de aniversários]

Leio uma mensagem dela no ônibus dizendo que chegou atrasada em casa e que só vai 4.30, eu com dezessete anos e doze horas e doze minutos ando para lá e para cá na frente do Globus e resolvi ir para o Aleksandrevski Park, fundado em homagenm ao Aleksandr I, o Senhor que Derrotou Napoleão, na verdade foi mais o Napoleão indo embora que sendo derrotado. Tinha uma igreja onde eu estava sentada, na frente do rio, o tipo de igreja que quem está na Rússia há nove meses começa a ignorar, mas que turistas iam tirar fotos de todos os ângulos. Há cem anos atrás construíram essa igreja com uma capsula do tempo embaixo, é lógico que na época eles não pensaram que em cem anos as pessoas não iam destruir algo de cem anos pela capsula do tempo. A capsula do tempo está lá e provavelmente nunca vai ser desinterrada. Tem uma pintura de Jesus ali em cima e eu penso que não é agradável que ele apareceu para o meu aniversário e que ele não se preocupasse, eu sei que ele só bebe vinho. Senta aí, amigo. Fiquei ali no parque quando eu vi o mesmo balão que está aqui na minha frente se aproximar. Na verdade eu não acreditei, mas vendo a Tanya se aproximar com uma sacola e um balão escrito, em português e com acento "FELIZ ANIVERSÁRIO" ficou muito surreal ao som de Dammit do Blink. Um porta-retrato escrito em volta "forever young, stupid and in rumspringa" tinha uma foto de nós no aniversário da Ilaria, um cartão, e um vinho.

Sentei no monumento "às vítimas da repressão política" e li o cartão. Compramos um abridor de vinho, daqueles que parecem uma pessoinha, no Globus e de lá voltamos pro parque para a cúpula onde a czarina Catarina esteve. Mais convidados ilustres, não bastasse Jesus e Aleksandr I. Com esforço abrimos o vinho, era bizarro ver a paisagem do parque sem neve. Então acabou mesmo, o tal do inverno. Brindamos, falamos da poluição do rio Vyatka, tinha um casal bebendo cerveja do outro lado da cúpula e chegaram um desses grupos de jovens que são unidos pela causa da droga. Eles se aproximaram e pediram para tirar foto com o balão, emocionados por conhecer uma brasileira e uma alemã. Mais convidados ilustres. Ficamos umas horas ali discutindo o sentido da vida e o sentido de voltar para casa e o conceito de família e o conceito de nacionalidade e o conceito de pátria. Coisas que mudaram tanto que querem ser mais do que uma palavra. Ano louco. Ano necessário. Ao passo que a larica ia se aproximando, resolvemos comprar batatinhas, peguei a de churrasco, e foi assim que eu também tive churrasco no meu aniversário. Pasme, um churrasco com Jesus, Catarina, Aleksandr I, o último brigando socando o amigo Napoleão e dando movimento à festa. Descemos a rua totalmente alteradas. Tinha começado a chover, o que fazia do quadro mais deprimente. No meio do parque ainda uns caras perguntaram se eu andava sempre assim, com um balão. Eu disse que era meu aniversário, e ele disse parabéns. Pozdravlyayu. Spasibo.


Resolvemos visitar o Andryusha, o dono do café mais famoso da cidade. A verdade é que eu precisava ir ao banheiro e o café não estava longe. A luz vermelha do lugar lembrava o que quer que fosse o inferno. Subimos para o terceiro andar do bar, e pela leis das terças-feiras, o lugar estava vazio, o que significava que um sofá inteiro era meu e o outro da Tanya. Pedimos uma pizza, a garçonete, menos grosseiramente que parece, perguntou porque falávamos inglês. E aquele som de surpresa pelas nossas nacionalidades. A pizza do Andryusha é a única decente na cidade, e entre os efeitos colaterais foi a única pizza que eu comera em um ano. Há um ano atrás no meu aniversário eu também estava comendo uma pizza quatro queijos, só que agora era chetirye sira. Dei uma fitinha do bomfim para a Tanya, o último toque de brasileirice que faltava.

O barman cutucou a garçonete para dizer que a inostranka [estrangeira] estava chamando. A conta. Resolvemos ir visitar depois o Zhenya, o body piercing. No caminho para a parada de ônibus a Isabela me liga, que bizarro que soa falar português. Pegamos o ônibus, meu balão batia em todas as pessoas existentes, ele estava em todos os lugares, onipresente. Chegamos no studio do Zhenya e já estava fechado, resolvemos ir andando até a minha casa. Chegando na porta, achei que o dia já tinha valido a pena, e perdoei os gregos.

Tomei chá com a minha irmã, que me deu um chaveiro para a minha coleção e chocolate. Ela me contou essa história de pessoas que te sujam de maionese ao invés de pasta de dente em uma colônia de férias. Achei que toda a coisa da maionese fazia mais sentido na Rússia, e por algum motivo me deu vontade de ir para a China. Subi para o meu quarto, avisei aos meus americanos e aos outros para irmos ao restaurante italiano do Renato no Sábado.

Falei com o Kensou no skype e fui dormir sabendo que eu tinha sobrevivido, efeito colateral de um útero materno.

Eu tinha esse costume de escrever um poema a cada anivesário, e por algum motivo eu gosto mais do de quatorze anos.

Poema aos meu décimo quarto aniversário

- - - - todos cantam e sorriem para mim -
esperei muito por este dia
talvez nem tanto
minha mãe -
daqui a pouco tenho que apagar as velas -
todos estes salgadinhos
este bonito bolo
com jujubas
- preciso pensar em um pedido -
só para acentuar esta diabetes
não.
diabetes - não -
eu quero muitas coisas, ó bolo
mas me ouça com atenção
não posso parar o tempo
mas eles estão esperando eu
apagar estas velas
então comeremos, conversaremos, sim -
quero ver lugares que ainda não vi
conhecer pessoas que não conheci
agora - agora
gritavam meu nome.
Feliz ano novo pra mim.
Ganhei uma carta de minha mãe
deixei a festa acontecer e
olhei para a Dolly -
não me olhem assim
só quero desovar alguns pensamentos
de aniversário -
e estou quase alcançando a porta
será que eu mereço essa vida toda pra mim?
bem -
mais tarde minha mãe
mandaria um simpático pedaço de bolo
para o porteiro -
a praia continua a mesma
e eu
tenho todos esses anos
que não conto mais nos dedos -
e todos os meus tios
tias
primos e primas
amigos
começaram a ligar para mim
para me lembrar de todos esses anos -
preciso aproveitar esse momento de desova
antes que o celular anuncie que
o mundo lembrou de mim -
me sinto culpada por
ser branca demais
andando na praia
mas eu tenho todos esses anos em mim
então agora
eu
vou
querer
um

pra
mim -
só pra iluminar a minha
lua
própria que tem quatorze anos
14 anos -
eu
gosto muito de todos vocês
se conservem assim
- - - e veja minhas costas pálidas
enxergam
todos os
meus
anos e artérias




E um ano depois.

Poema aos meus quinze anos

Eu preciso olhar nos teus olhos
ouvir da tua boca
que
quinze é um número gentil
não sei se ele foi exatamente
gentil
foi áspero
chegou sem eu perceber
mas esteve sempre
do meu lado -
e eu, bolo, quero apenas
muito amor
amor sem dor
cacau puro
sem leite.
É estranho,
mas é assim:
vou ser muito - -
feliz.


E ontem.

Poema aos meu décimo sétimo aniversário

Meu amor eu pego o
trem - -
não desacredite em mim
que eu te amo como
os trilhos e seus
parafusos anseiam pela
velocidade as paisagens tão
- - - - - velozes
eu de pulso
de pulso fechado não
não soltei a tua mão
que é feita para agarrar-se a
minha
na bagagem te levo em fotos
ondas
tsunamis de sentimento
que causam a maresia das minhas
estruturas metálicas
aço
alumínio
talvez eu queira ser
mesmo mármore
perguntarei a todos os meus
anos
o que eles acham da destruição desse templo de
- dezessete anos -
e a construção de um de belas pedras
brancas
de
mármore
e serei quebradiça por - você -
Meu amor
fique na estação
que eu
ainda seguro a tua
a tua mão
E entenda que percorrer esses
trilhos do tempo
cruel tempo e suas estruturas
é que
- eu -
Eu nao quero ter onde ficar
porque tenho muito lugar
para ir
e não me conformo
- conformidade -
de estacionar assim
a vida inteira
em você
um só lugar
apesar de você
ser o
melhor
lugar
que existe
Eu pego sua mão e
um trem e
esses dezessete anos
ímpares
- no entanto -
e pela necessidade do movimento
não freio
os anos
e eles que não cessam
a aritmética
e a idade
por isso tenho que ir
- rápido -
enquanto eu tenho idade
vontade
maldade
pulmões saudáveis
por todos esses
trilhos
de anos.
Meu amor
eu só quero mesmo é
perder
a
conta.
(será o dia
em que serei
mais
- - - feliz - - -)

... Toda essa coisa de morar aqui sempre me leva a uma metáfora de trem.

Bem, obrigada a todos que me deram parabéns ou que simplesmente lembraram, e também a todas as pessoas que me falam que gostam de ler esse blog... Spasibo vsem ;)

Pontuo.

3 comentários:

Thales disse...

Antes de comentar seu novo escrito, e de lelo também, gosto de responder os comentarios, sabe como é, formentar o conhecimento e as opiniões, ja que conversas são geograficamente problematicas, pela distancia ou fuso horario.

Não sei se da pra chamar de anarquia e nem de ignorar, se os ignorasse a existencia deles não haveria efeito algum sobre minhas ideias, nem na criação desse texto. Contudo um idolo existe enquanto adorado e não enquanto simbolo, estes podem existir de diversas formas sem necessariamente precisarem de uma construção dogmatica.
Existe uma grande diferença, pelo menos para mim, de afirmar a certeza da existencia divina e admitir a possibilidade do erro, mas escolher acreditar, é a diferença entre a cegueira da mente fechada e da escolha consciente. O mesmo vale para os idealistas que não percebem a falha de suas fantasias na sua aplicabilidade. Quando algo vira um icone ou idolo existe a perda das falhas, da noção do real. Algo similar é visto em manicomios, com a diferença que tanto a religião e o pensamento proprio de uma época são formas do que poderia chamar de uma loucura coletiva. É a diferença entre aglomerados de islamicos se prostrando em frente a um "meteoro" e de um louco que reza para um tijolo sagrado isolado em seu quarto acolchoado.
A divisão to trabalho é necessaria, mas a existencia de clases não. É como as 3mil palavras que foram pro dicionario, quem disse que tem existir? claro é uma forma de funcionalidade historica e economica, mas com o avanço tecnologico isso tende a diminuir chegando a configuração ideal que seria entre muito ricos, ricos e consumidores padrão, ou algo do genero.
Mas sim, todos precisam de um tempo de alienação, de um escape, sejam jogos eletronicos, novela das 8, livros do verne e afins, porque a realidade por mais que seja necessaria as vezes é inaturavel.

Aproposito, sou de uma comunidade catolico ortodoxa, vitima do batismo forçado e da crisma por obrigação.

Thales disse...

Engraçado que mesmo que Hitler tenha nascido no dia 20, ainda não se compara com o fato da minha mãe tem nascido no dia 20, ariana braba, coruja, irredutivel e amavel em suas histerias de quem tem um útero. É até engraçado pensar, você, minha mãe e sua avó. Eu tambem teria nascido no dia 20, se não fossem por complicações que me empurarram até 11 de maio, que me colocaram no mundo com ainda mais dor, com pele fina, ressecada e ferida.
Até compreendo a inquietude me movo desta mesma forma, me preocupo se realmente crio algo, ou também estaria apenas copiando, perfecionismo estranho misturado com um narcisismo estupefante de quem realmente apenas se vê entre qualidades insuficientes e defeitos atenuantes.

Bem que poderiam ter criado o dia de são Rasputin, mas se bem que é a fama dele era de pervertido sexual, pederasta e que fazia orgias envolvendo a esposa do Czar, que no momento me falha o nome, problemas de se ter um pais rescém capitalista é que nem mais se comemora o Papai noel alemão(Marx), tão pouco Lenin e quem dirá Stalin.

No caso também adoro girasóis e a respectiva obra de Van Gogh me lembra um sorriso, estranho, mas me lembra um sorriso de certa forma sem igual. Acho que sempre preferi alcançar a lua, talvez meio cliche demais, mas é coisa de quem nasceu em interior sem predios para me roubarem as estrelas. Mas compreendo a sensação.

Aniversarios , parei de comemora-los desdos meus 10 anos, nunca estiveram neles ninguem, além de meus pais, que realmente eu queria que estivesse ali. Contudo acho por alguma razão meu aniversario era meu, apenas meu, de mais ninguem, mesmo que não comemorasse. Maldita mania brasileira de dar festa para os outros, do aniversariante que ficar a dar atenção a convidados indesejaveis. Fico mais feliz com a pseudo comemoração no final de semana e pagarem as minhas doses de Vodka com suco de limão.

Guarde o balão, os presentes surrais são os melhores, pode ter certeza, indo de mechas de cabelo, cartinhas, broches e qualquer bugiganga especial que possa pensar, talvez nos seus 25 ou 30 anos pense que este foi seu melhor presente de aniversario.

Pomas e poesias de infancia e adolescencia, não tenho mais nem um, por alguma razão não representaram uma evolução, mas um conjunto de decepções, também nunca desejei nada no meu aniversario ao soprar as velinhas, se desejei não me lembro, mas me desculpe a pergunta, o que desejou nos seus 14 anos?

Bem, gostei muito do de 14 e do de 17, são fases, são epocas, são desejos e mundo apartes. É estranho como 3 anos conseguem fazer uma diferença tão gigantesca. Adoro trens, adoro engrenagens, mas nunca estive um, um dia quem sabe poste a foto desse tem, ficaria até alegre e quem sabe até guardarei como presente.

Parabens mais que atrazado e que a morte erre a aritimetica toda vez que estiver a verificar suas contas em seu abáco, até porque não consigo imaginar a morte usando calculadora.

Obrigado por escrever esse blog também =3.

Letícia disse...

nunca esqueço do dia em que eu descobri que o teu aniversário era no mesmo dia que o de hitler, foi tenso quando tu me olhou com a tua cara de 'é, eu sei', besos, feliz aniversário de noovo :)