quarta-feira, 18 de março de 2009

Chegou a hora, Joaquim




Então eu me fiz de pé, caminhei até o canto da parede do meu quarto, Gemma Hayes cantava At Constant Speed, eu tinha uma garrafa de água na mão, eu bebia, e caia mais lágrimas, fechei os olhos, descarreguei o peso do meu corpo no canto e depois disso, mais nada.

And it all comes to me right now... Like a starving dog crawling for attention.

E do nada, a Yasmin, que eu não vejo há 8 anos, bate a porta do meu quarto, eu deixo o meu canto e me arrasto até lá, sem dizer uma palavra, ela me abraça e eu penso: obrigada, eu já ia cair no chão se alguém não me segurasse.

- Tu ainda lembra de mim?
- É lógico que eu lembro, Yasmin.
- Que bom, eu tava com saudades.

And the thing about destiny is that it never ever makes mistakes...

E eu continuo, volto pro canto e reinicio o processo.

Obrigada, pai.

Pela parte da minha existência e por todo o vasto resto.

E se eu pareço essa pessoa forte, às vezes eu tenho a certeza que é fortaleza de cal. Outra coisa sobre os arianos é que eles engolem o choro pra quando estiverem a sós. Funciona, quero dizer, na maior parte do tempo.

But if I keep at constant speed...



Chegou a hora, Joaquim
de mergulhar no profundo desencanto sem fim
dos homens todos do mundo.

Chegou a hora, Joaquim
de perguntar pelo trigo
Pela aurora pendoada
na messe do teu jazigo.

Chegou a hora, Joaquim
de perguntar pela bomba
que foi jogado do céu
por cima da tua sombra.

Chegou a hora, Joaquim
de perguntar pela flor
Pela estrela germinando
nos olhos do pescador.

Chegou a hora, Joaquim
de perguntar pela paz.







Fico enchendo as bochechas pra ver se pego algum ar.

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