domingo, 11 de janeiro de 2009

Uma tentativa de dissecar a loucura.

Começo com um trecho. Na verdade, recomeço, porque o blog ficou aqui meses a fio passando fome e eu esqueci de alimentar (é, eu tenho essa impressão de que a única coisa que eu realmente tenho que alimentar é a Dolly).

"[...] Olhei pra cima, só tinha um estrela e o Sol já ia nascer, então olhei até quando pude. Pensei em further north, nas tatuagens que eu ia fazer, de quando eu era de uma banda, de quando eu tinha um moicano e tava de saco cheio demais pra ajeitar... Pensei nos meus amigos que por essa hora estariam bêbados e incapazes de dizer quem ganhou a Guerra do Vietnã, pensei na minha vida longe daqui daqui a uns anos, se eu ia sentir falta de todo mundo ou ia simplesmente me acostumar (como todas as vezes que eu me mudo...). Tá, talvez eu sentisse falta... Sentisse falta das nossas tequilas, dos meus livros (será que eu os levaria comigo?), das havainas, do Fafi, do Dragão, dos flashs, dos brigadeiros, das raves, do Aldeota, do Sex Shop na frente da minha casa, das caminhadas sem rumo Aldeota-Open Mall-Del Paseo, das sopas Vono, do Habib's... Dessa merda de cidade que eu vivo desgostando, mas que deu chão pros meus pés por um tempo certamente bom, que eu vou recordar. E também... Lembrar que a vida tinha sido uma vadia barata comigo... E que eu tomei porre pelos menos umas cem vezes fudidas. Lembrei do Paulinho quando o painel mostrou que era 16 de Dezembro... Olhei denovo pra procurar a estrela, e ela não estava mais lá, perdeu o brilho... E meus erros e meus acertos, nao vivo sem os dois. [...] "



Li isso hoje, e lembrei de como cái bem, apesar de fazer mais de um ano que eu escrevi. Quantas coisas mudam em um ano? Não sei calcular, mas eu venho pensando em tornar o cálculo mais prático: quantas coisas mudam em um dia? Porque acho que só ontem mesmo eu engoli que eu tô indo embora, que o próximo Natal não vai ser aqui, e nem conte com o aniversário de 17 anos. Mas eu posso bem ver, e vou me aproveitar do último devaneio pra construir o pensamento: o meu aniversário de 17 anos mal me passa pela garganta, que não terá mais amigdlas, o clima vai estar perfeito, não sei qual estação será mas eu estou apostando na primavera, vai ser algum lugar na Rússia e eu mal vou acreditar que eu vim tão longe.

Ontem eu senti saudades.

Ana Luísa a quem eu devo explicações da minha dor de cabeça, hm, acho que eu achei. É loucura. Será que a minha maturidade não vem me "overjudging"? Minha cabeça e coração, que pensam quinze anos não concebem a idéia de ter tantos anos à frente longe, novos, frios e quentes. E acho que foi ontem, quando minha mãe depois de tantos anos me abraçou que eu vi como eu esqueci que é dizer tchau. Eu não venho dizendo tchau há mais ou menos dez anos, desde o meu pai. Na maioria das vezes eu sumo e fico olhando à distância, feliz por ver como as pessoas continuam andando e colhendo os frutos sem mim. Sim, eu fico feliz, porque eu prefiro - não imaginar - que ninguém sinta o peso de um tchau como eu sinto, eu prefiro deixar de enfrentar a situação. Covarde. E minha longe lista de defeitos, mas não estou nem estou dando audiência a demagogia hoje.

Finalmente minha rotina de vida mudou.

Eu tenho oito meses (um filho?) e dia 21 de Agosto é grande demais pra mim.

Vai ser o dia que eu finalmente vou ter que dizer tchau.

Tchau é denso demais pra ter só uma sílaba.

Those elbows, those arms,
I have been held,
I have been held.
- Bukowski

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