terça-feira, 6 de julho de 2010

Pousando

A rua infinita
vai além do mar
Quero caminhar


Eu tentaria postar agora mas eu e minha - afta - vamos dormir porque Drummond acaba de dizer coisas que deixam o espírito leve, contente e em alguma parte, sonolento. Mas antes que eu morra de preguiça... Sem fotos [explicação mais a frente, sem cabo, no gain] Então eu realmente estou no Brasil. Para falar a verdade, eu deveria contar como foi difícil POUSAR aqui. Mas essa história совсем уже меня бесят [me enche o saco], troquemos por miúdos, a companhia aérea X me pôs num hotel junto de pariesienses e angolanos divertidos que haviam tido seu vôo cancelado também. A verdade é que sentada ali no chão do Domodedovo em Moscou esperando o meu vôo com o Konrad e a Lera eu não tinha a sensação de que eu iria para casa nessa linha reta, que eu ia ter que virar ginasta e pular essas coisas tipo um dia em Madrid, quando não se quer estar em Madrid. Ma cazzo. Os italianos sabem o que dizem, eu não sei quantas vezes repeti isso. Meu dia em Madrid, no entanto, foi até proveitoso, tive que comprar roupas novas porque havia despachado já as malas e tinha a impressão que as que eu usava há um dia não me cabiam mais no humor e na higiene, depois comprei bandaids e souvenirs, andei pela Gran Vía, descobri que o espanhol da Espanha pouquíssimo me agrada e quis meus latino-americanos de volta. A pior coisa foi a despedida com os italianos, o mundo parecia que ia raxar de tão errado que aquilo soava. E agora eu chego no Brasil e existe uma porcaria chamada Passione que somente ofende os italianos com quem eu convivi um ano inteiro. Eles são melhores que isso. Então eu, de alguma forma, cheguei a São Paulo. Pela primeira vez em muito tempo o meu passaporte brasileiro e verde era só mais um passaporte. As pessoas falavam minha língua, apesar de que durante um ano eu perdi bem a noção dessa coisa de língua materna. As pessoas faziam piadinhas, era incrível, então esse mundo existe mesmo. Até que minha mala chega aberta, e onde estaria aquele saco com meu headset, calculadoras, coisinhas eletrônicas e carregadores, só então eu penso que realmente cheguei no Brasil. Eu poderia ter morrido de decepção, tragam a maca senão o morto apodrece rápido. Como alguma espécie de consolo acabei por parar na sala vip e fiquei com lanchinhos e wi-fi. Subi para o portão e mais uma surpresa: sotaques. O português, que há um ano e tanto atrás era esse grande muro feito de azulejos, tornara-se esse bloco de concreto, sem sotaques e regionalismos. Por alguma força maior eu resolvera que deveria ir para Fortaleza antes de me estacionar em São Paulo. Talvez isso não tenha sido saudável porque quando saí do aeroporto me faltou ar com aquele ar abafado e aquele estupro as glândulas sudoríparas. Meu quarto tinha sido reformado e verdade seja dita, eu tenho os melhores amigos do mundo. Devidamente agora atualizada em piadas nacionais, elejo aqui Felipe Melo o homem do ano. Agora eu estou aqui com meus livros de volta, depois de desempacotá-los e estar a espera de mais 16kg via correio, e estou procurando meu Majin Boo gigante. A maioria dos problemas deixados há um ano atrás persistem como uma bactéria de tétano, mas estes são agora pormenores... Nada que uma tigela de feijão não resolva. Eu... Eu estou muito bem, onde eu queria estar agora, com quem eu queria estar. Pontuo.

CAMPANHA: empresta-me que eu te amo. Para aqueles bons corações que emprestam livros para alguém reaprender a falar português. De bookeater para bookeater, o seu livro vai voltar em melhor estado do que veio. Quero muito, no momento, Sartre e Vinicius.

2 comentários:

leonardomay.com disse...

Interessante, adoro suas postagens. Uma história e tanto! Parabéns.

Mah disse...

Sempre acompanhei teu blog, Rianne Acho que tu escreve de maneira leve e bem humorada. Parabéns e beem vinda de volta :)