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Para o meu último.

Remexendo nos meus documentos eu acho coisas que às vezes me definem. Então como realmente não importa, eu as coloca aqui, a mostra, como proletário enforcado sem nada a oferecer. E já foi.

[1]

24 de janeiro de 2010.

Para o meu último amor,

Eu sei que é bobo, que isso nunca vai parar nas tuas mãos, que eu nem sei onde estão tuas mãos agoras, sobre quem estão tuas mãos agora, por onde elas estiverão, para onde os apontares dos teus dedos te levarão, se foi longe, se está perto, eu não sinto nada. E é sobre isso, exatamente isso, palavra, que eu quero te contar. Que eu não sinto nada, meu amor. Desde um tchau em meio-boca, um sorriso incerto de quem vai começar a chorar sem previsão para acabar, um sorriso cheio de desgraça e pena de si, por saber que a partir dali, seria difícil demais amar outro alguém, que seria demais amar outro alguém que não fosse você. Que a partir dali era você indo para longe demais, eu ficando comigo e tendo que me enfrentar e os meus monstros, que são iguais aos teus. Ao que toda estrada tem um caminho incerto, que até quem dirige tem que consultar um mapa, que foi feito por alguém cheio de incertezas, também, não sei porque eu acreditei em tanta estabilidae e uma vida a dois, mas eu fui com o pé no pedal, enquanto você segurava minha mão e eu passava a marcha, como se aprovasse os meus movimentos, até eu virar essa curva brusca e acabar com nos dois - eu já admito a derrota, eu reconheço a culpa, mas não deixo de notar, que você aprovou os meus movimentos e as minhas curvas com a mão que se esfregava contra a minha, que na maioria das vezes, prometia mais tarde um número x de orgasmos, o quanto a noite deixasse e durasse, eu já dominava o teu ser de certo modo que eu previa os teus movimentos cinco horas antes dos teus músculos pensarem em fazê-lo, e agora somos nós dois capotando, e capotados, e não sobrou vestígio do amar no carro que pegou fogo, e no entanto, você aprovou os meus movimentos, seria justo dividir a culpa, mas eu a tomo para mim, é a única coisa que ainda posso reivindicar de minha. Mas os anos ainda me prometiam uma cura, outro amor fumegante, algo que fizesse dançar a vida que em algum lugar existia em mim. Que eu olho para a janela agora, em Janeiro, e só tem esse frio e esse vento e essa neve, nada de fumegante ou subprodutos do amor e do fogo. Que quando você andou, deu o primeiro passo, levou mais de mim do que se permite o protocolo. Eu não peço nada mais, senão o simples direito humano de amar. Eu não sei mais amar desde que eu te amei. Eu não sei.

Com amor,

alguém que veio e foi, e não vem saindo do lugar.

[2]

O mundo é quase sempre longe
antes fosse uma virose mundial
vestir o traje do astronauta
explorar o que o espaço tem de sideral
uma estrela n'uma mão
e na outra o fim da função renal
E no próximo gole
a Terra tem forma quadrada
mas minha casa é quadrada
nessa vida de quatro paredes e teto
e nessa profissão de falhar
em ser humano profissional
(fui quase sempre)
Esse é o meu sorriso torto
de quem desenvolveu fotossensibilidade
pela falta do contato e contrato social
Quantos anos têm meus anos
se em Marte o tempo passa sem
realmente eu
falhar em ser humano
E eu estou cagando para a
paz
mundial
Eu daqui estou fora
Eu sou astronauta em auto-piloto
pessoal
Vestir o traje do astronauta
e colonizar o que o espaço tem de sideral.

16 de Abril de 2010, pensando na possibilidade de ter criado esse mundo separado que me recebe de braços abertos quando eu chego a conclusão de que casa é um conceito que abrange o universo inteiro, no mais, apenas afirmando a minha existência errônea prestes a completar dezessete anos. Escrito no corredor da escola em dez minutos no intervalo.

[3]

Daddy's little sailor

Going back, flashing back to all the times
and lights
Just a seed, a kid or old pics of mine
and
New jersey couldn't feel any colder
minus twenty but
it feels much warmer by your side

'Cause i'm no more the one
who used to be dad's
little sailor and
I'm no kid not to understand
that life has already began

So the years went by
that's so odd to say
When you're kid you're like
I'm always gonna be the same

'Cause all the ice creams we ate
they end up in the sewage anyway
how romantic we end up, anyway

There is tiny little piece of it here
I can feel a little piece of
Daddy's little sailor
But it's lost in the deep blue sea
I'll let the pirates
Just have fun with the seek.

Hey, dad
Time is not the same
It swam.

Comentários

Thales disse…
As vezes meio que me pergunto o que é mais estranho. O pequeno calor residual das cinzas de um amor. O frio desagradavel, mas momentaneamente esquecido por um cobertor qualquer, pratico e momentaneo. Ou quando finalmente se acostuma com aquela tundra, habitat um tanto inospito, mas que possui seus próprios frutos, alguém chega e incendeia tudo novamente. Não se sabe se deve correr em direção ao fogo, mesmo no risco de ser consumida como uma mariposa, ou fugir enquanto consome a tudo e arrasa o que sobrar.

Em termos de mundos, eu tenho mensalmente ou anualmente pequenos novos mundos fadados a sofrerem um micro apocalipse a cada novo evento astronomico fora do meu mundinho.
Acho que é impossivel proteger os meus pequenos mundinhos dos raios cosmicos, das super novas, ou simplesmentes eles se tornam inospitos pelo superaquecimento ou pela falta de calor.
Tenho medo mesmo é de acabar caindo em um buraco negro.

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