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Uma fábrica abandonada na estrada


Vou apagar as luzes. Deixa o sapato ali, não faz mal, contanto que se faça à dois. Ambíguo. Ora meu, ora teu. E agora mais de ninguém. Queríamos tanto conversar. mas foi na falta da necessidade de fazer-lo mesmo, que não o fizemos propriamente. O próprio. O jeito como o teu olhar fugia do meu, eu já lia tudo. Pára o mundo. Queria era escutar em bom português, queria tropeçar em um sinal de dois metros escrito "PÁRA!". Mas se fui eu mesma quem tirou o sinal dali, quem eu ia culpar? Culpa o vento. Culpa. Até chegar a uma desculpa que te apeteça a dor, a falta. Algo que ocupe o espaço de tudo isso. Um grito. Um cimento nessas paredes quebradiças, dessa fábrica esquecida na estrada. Passa gente o tempo inteiro, o dia inteiro e nem a vê. Já é noite e não há nada mais do ontem que foi nosso. 

Lembra. Te contei de tudo. Você escutou mais da metade. Li teus livros e reli tuas dores. Nunca quis flores. Senti de tudo um pouco. Medi, perdi a medida, criei calos de andar atrás de algo que me pertencesse. Atrás de algo verde. Eu desviava e você me puxava de volta para a calçada. Andei demais. Nem senti frio. Quis te dar a mão para que você não se sentisse só, não porque eu quisesse dar a mão, mas só para que você soubesse que a minha mão é uma terra gigante, que queria te receber. Acolher. Eu nunca disse não. Você, sim, tinha toda a razão. Quisemos de tudo muito pouco.

Não me odeie só por quase ter se tratado de amor. Eu sei a resposta, mas não sei como te responder. Deixa o silêncio falar sozinho, deixa o Tejo levar tudo isso embora, e lá do outro lado do Atlântico vai cair nas areias da minha praia, e vai estar tão longe de mim.

Não sinto raiva, não sinto nada. Sinto saudade, de vez em quando. Quando penso que poderia ter sido diferente. Saudade do que poderia ter sido e não foi.

Nessas de não-amor e amor eu mergulhei de peito, me deixei levar, ali mesmo aprendi a nadar. Preciso desaprender (você).

A porta está aberta, e minha janela dá para o mar.

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