sábado, 11 de julho de 2009

O que fazer com aquela necessidade de ir embora e querer levar quem importa



[Não há exame de DNA mais preciso que essa foto]

É inevitável comparar, realmente. Fortaleza vem me dando naúseas, já vinha, desde que eu pus os pés, fosse pelo clima, fosse pela mentalidade, pela falta de gente interessante (mas eu tenho certeza que as mais especiais eu guardei comigo até hoje). E eu sabia, sim, que o Sul era onde eu devia estar, pelo menos onde havia família, não em um Ceará sem almoços no Domingo e essas coisas que as famílias fazem, e por que eu exigia isso depois de voltar dos EUA onde não havia família at all? Talvez porque lá houvesse algo que encaixasse com o meu estado de espírito, e é uma sensação que me faz falta como um pedaço da alma. Mas eu pouco suspeitava que São Paulo me desse a mesma sensação, há 11 anos eu não convivo com meu pai, ou com a família dessa parte, e ter vivido isso antes de ir pra Rússia me faz ir com uma sensação de que eu vivi tudo que devia ter vivido, mesmo que passar esse tempo aqui em SP não tivesse exatamente na minha lista de to-do before leaving for a living. E god, como eu tenhos os sobrinhos mais queridos.



[Eu e meus sobrinhos, SP]



[Parque do CERET, SP]

Tudo bem, vamos fazer o balanço. Eu sou uma das pessoas mais sem nacionalidade ou nômades que eu conheço, não sei o por quê, mas aconteceu que todo lugar era novo e eu deixei um pedaço de mim em cada lugar que eu morei, mas eu me pego na obrigação de eleger o melhor, e eu não penso duas vezes, nem uma, porque a saudade de New Jersey é uma coisa presente constantemente, sem que eu precise pedir. Mas os meus amigos são cearenses, os melhores. Mas os meus avós moram ali, e são especiais demais. O lugar, vai ver que não exista, talvez seja a junção de todos dentro de mim, então posso levá-lo pra onde os aeroportos quiserem me largar.

Pátria é tudo isso, foi o que o Vincent me ensinou:

"Você talvez jamais pensou no que é a pátria, é tudo o que te envolve, tudo o que te criou e te alimentou, tudo que amaste, este campo que vês, estas casas, estas árvores, estas jovens que passam ali rindo, são a pátria. As leis que te protegem, o pão pago por teu trabalho, as palavras que tu trocas, a alegria e a tristeza provenientes das coisas ou dos homens entre os quais vives, são a pátria. O quartinho onde outrora viste tua mãe, as lembranças que ela te deixou, a terra em que ela repousa são a pátria. Tu a vês, tu a respiras em todos os lugares. Imagines os direitos e os deveres, as afeições e as necessidades, as lembranças e o reconhecimento, reúne tudo isso numa palavra será a pátria”

Que mal faço eu então, em acreditar que existe um pedaço de pátria querendo ser meu ali na Rússia? Faltam peças, e a obra pede para ser completada. Quem vive a vida sem ir buscar essas pecinhas vive de angústia e morre sem nenhuma obra, e quanto a isso eu me refiro que ser nômade é uma das coisas mais enriquecedoras que há out there.

É isso. Um mês de Brasil: o que fazer com ele?

Bem, estou fazendo.

Criando os contrastes, as instabilidades, gostando.

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