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Um porta-malas que acomode o nosso futuro.

Atenção,

Das coisas que eu não te disse, mas com muita insegurança, fazendo desvios, inclusive dos teus abraços, tentei te dizer, eis aqui mais do que algumas. Eu não sinto a tua falta, pois há muito aprendi a viver sem ninguém. Cultivei esse objetivo, agora colho. Por isso, desde o primeiro momento que te deixei entrar, não foi casual, foi tudo planejado, eu havia preparado tudo isso pra ti, uma cadeira ao meu lado, que andava vazia, a cadeira-companhia. Por isso não sinto a tua falta, deixo apenas que tu acrescentes algo a mais à minha vida, então faz-lo! E se te dá vontade de aqui mesmo levantar-te, esvaziar a cadeira, eu nem sei se me restam as forças para pensar em querer chorar, pois já vi tanto triste que esse seria apenas mais um triste na pilha dos tristes, acostumado, comum, não menos triste! Mas conhecido. Como o amigo que toma o café, e sái, desavisado, até a próxima.
Fora isso, não te disse que penso em ti. O tempo inteiro. Imagino um carro com porta-malas grande o suficiente para acomodar o nosso futuro, imagino os cachorros, até as maratonas que nós vamos querer treinar, e nunca nem chegaremos a participar. Penso nisso o tempo inteiro. Te tenho aqui perto, e tu me fazes sorrir mais do que pensas. À distância, mesmo.
Por isso, das coisas que eu não te disse, vou continuar a não dizer.
E vou não te dizendo… Até se tornar tão óbvio que não haverá como não ver.
Eu vou desenhar, vou mostrar, atuar, tudo.
Pra que ter conversas sobre como ser feliz, basta querer ser.

Dizer, não vou dizer nada, eu mesma não, mesmo querendo tudo, esse negócio de viver de dizer...

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