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Minha II Guerra Mundial é pessoal.

Esse poema foi a primeira vez que apostaram em mim. Que quiseram me publicar. Ele significa bastante. O bastante. Eu tinha treze anos e foi provavelmente a primeira publicação que saiu da gaveta.

MINHA II GUERRA MUNDIAL É PESSOAL

Acordar em 1938 em meio a um turbilhão de flores com cores
Flores que perdi na Guerra em meio as dores
A tristeza matinal do soldado que voa com os eternos beija-flores
Os beija-flores que em ti encontrei, que em ti perdi
Acordar em meio a uma Guerra,
Soldados lutando pelos seus amores perdidos no canhão, na multidão

Dormir para escapar dessas paredes de cérebro
Que me torturava e me matava mais que o cruel inimigo
Eu era a cópia do soldado mortou ou viria a ser
Eu não era o mocinho nem o vilão, era um soldado infiltrado na multidão

De repente acordo nesse turbilhão de dores sem cores
Depois de 1945 o Mundo nunca mais foi o mesmo
Não é do Mundo que sinto falta, são das flores que não posso proteger
Agora eu era soldado, mas não sabia depois
Talvez caçarei borboletas... Eu vivia uma II Guerra Mundial contra mim mesmo.
Talvez eu tenha sido um mártir anônimo...
Tempos penosos... O desejo e a habiblidade de viver - não a capacidade

Uma vez que eu levei uns socos
Descobri que eu não era feito de vidro.
Você não se sente vivo a não ser que esteja dando tudo de si, de mim.

Agora, que minha voz perdeu o som da razão, eu tenho sede
Tenho sede de verde no meio desse cinza de fumaça
Que por mais que eu cave no ar com as mãos, não tem fim

Minha sede não é de água
Não sei do que é minha sede
Mas sei o do que não é, é de não-guerra

E o inimigo tinha mãe, tinha irmã, tinha cachorro, tinha desejo
Tinha desejo, tinha tristeza, tinha certezas
Eu e o inimigo éramos iguais apesar dos uniformes
Éramos iguais apesar de agora sermos diformes.

A guerra acabou... Rolem os créditos!
Um soldado, um vilão, um inimigo, eu perdi a mim mesmo no soar do canhão do batalhão
A procura de flores, amores, cores, menos horrores...


Não sei ela jamais irá ler isso, mas gostaria de agradecer a Professora Ana Pimentel. Eu sinto que quando chamo alguém de professor quero dizer muito além disso. Não é só uma palavra, é uma palavra que vem em forma de admiração e agradecimento cada vez que é dita. Obrigada por ter tido um pouquinho de fé em mim, hoje em dia escrevo porque naquela época soube que gostariam de ler o que eu tinha dentro da gaveta. Um abraço à Professora Aurilene, que tem o sobrenome Luz e iluminava uma sala inteira. Vocês foram grandes professoras, grandes mestres, daqueles que incentivam e quando nós vemos, já estamos muito além da onde imaginamos estar. E um priviet e um spasibo para a professora Galina Archaedviena, que quis me escutar sobre Dostoiévski, Tolstói, Turgenev, quando eu tinha essa placa de brasileira na cara e ela dizia que eu me interessava mais e escrevia mais que os russos, um spasibo ogromnoe. Eu não posso dizer exatamente o que aprendi na escola, mas posso contar sobre uma coisa ou outra. Obrigada, professoras.

Isso é enquanto eu enrolo você e não publico a quarta publicação do Pão-com-açúcar. Mas irei me redimir, pois acredite, Domingo a publicação será da extensão do Daqui até o Lá de Acolá. O final já está escrito na minha cabeça. Eu vi tudo. Agora eu preciso de tempo, o espaço para as palavras já há. Domingo, repito, domingo. Caso não, eu estarei falhando comigo. E eu odeio fazer isso. Prefiro que os outros tomem este papel. Pontuo.

Comentários

Adorei o texto e a quantidade de ideias que ele revela.
Parabéns.
Quando vc falou de professores eu lembrei da minha professora da 6°serie. Ela é um referencial!

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