Pular para o conteúdo principal

We are chimeras

This journey is over. That was a great chunk of my life. I have rented a garage and left a bunch of stuff behind. I shall come back to retrieve it, but will I want it all back, when I reopen those boxes, will I still need them? So I thought about this, and these are the transcripts of my thoughts:

I first step foot on this land as a teenager who denied the existence of the Home. The world was bound to be the Home, and I knew it, even then. I have always suffered from chronic curiosity.

We felt everything, we knew nothing, we toasted and danced, we slept on couches and had neck-pain the other day. I was present and took part in weddings, police investigations, births, fires, carbon monoxide poisoning and car accidents. I left my appendix here, I ran through the streets of a cold winter to catch an ambulance before they left to help a friend, I didn’t think about slipping on the ice and dying, not a single moment. I developed a nail polish habit, a skin care routine and depression as well (in remission). There was romance, love, flirts and pseudo-feelings that we failed to develop, we grew up so much, we even outgrew hate. There was learning to forgive, forgive people that had hurt, forgiving Putin, and the winter, for existing so solidly. We made science and progress, we met Nobel Laureates and hyperventilated. We took cabs when we could have walked, we hugged when we were cold, we had no shame in being smugglers (will we ever?). We developed our facets, we had blackouts and cooked foreign dishes with a socio- political purpose. We even opened books knowing that they would change us. We rode bikes. We exacerbated our OCDs. We have become doctors and the worst patients. We got tattooed. We became polyglots. We got massages and full body scrabs, we got stuck in traffic, in metro wagons and fainted in public. We excelled sarcasm. We had picnics with no fear of food poisoning. We slept over, we binge watched.

We are a chimera of all these things, and so many more.

And there was Home, somehow, there was Home.

And if you smirked reading any of the above, that’s probably because of you.

Thank you Russian Friends, Non-Russian Friends, friends’ pets and attaches. You made me feel like I was on Erasmus for seven years. A lot of people only get one year of that, so that’s at least 7x better than the average.


Le fin.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Três detetives e nenhuma solução para a vida

A Tv da cozinha está ligada e eu não sei exatamente com que propósito. Há poucas coisas piores que tv brasileira, e é a russa. Absolutamente nada é legendado, tudo é dublado com um monotom que segue por suas duas horas de filme. Às vezes é só um homem dublando todos mudando a entonação da voz (sim, isso existe). Então eu não sei por que exatamente eu preciso dessa Tv ligada, mas talvez seja pela graça da companhia. São 9 da noite de um feriado que eu não entendo completamente o significado, hoje não tive aula e acordei cedo para estudar. Próxima semana tenho deus sabe lá quantas provas, tudo que eu sei é que minha agenda está cheia de anotações como uma pessoa louca. Nunca fui uma pessoa de reclamar infinitamente e me enterrar nessa conformidade de cara feia, o problema é que eu sei que sou perfeitamente capaz de encarar isso tudo, mas com esse inverno que vem batendo a minha porta o level de dificuldade sobe, a vontade de viver cái. Meus dias não têm sido tão ruins. Na verdade quando ...

Uma linha reta é um zigue-zague.

Eles dizem que de um ponto podem partir infinitas retas. Em teoria, é pura geometria. Na Rússia a teoria é posta em prática de um jeito que bota a paciência de dezenas de pessoas numa panela de pressão até que a panela exploda, a dona de casa contraia uma queimadura facial e paramédicos na ambulância passem a dizer que os médicos que vão tratá-la são os melhores quando eles realmente não sabem se há ali dano em algum nervo facial. Em outras palavras: caos. Então eu estou sentada em um corredor esperando para tirar uma raio-x de check-up. Há como que três pessoas na minha frente e eu simplesmente sento lá e penso, bem, a partir do ponto que todas elas forem, eu entro, é matemática simples. Chegam mais pessoas. Eu sento, espero, me sinto ansiosa e inútil, com a única expectativa que uma pequena porção de radiação passe, por favor, pelos meu tórax neste confuso dia de primavera (o episódio se passou em meados de Abril). O resto do meu dia não estava planejado, eu acordara apenas pela pequ...

As minhas gramas são mais verdes

Fazia dois meses que eu estava na Rússia e tudo e todos ainda eram ETs se aproximando por um contato de quarto grau. Eu poderia divagar sobre a sensação de ser uma expatriada, mas seria tão inútil como descrever o gosto de chocolate, com tantos sentidos envolvidos. E lá eu estava, na frente de toda a escola recitando um poema no Dia dos Professores, que é realmente importante na Rússia. Eles podem até não ganhar bem, mas o respeito que recebem dos alunos é infinitamente maior que no Brasil. Dirigir-se a eles apenas levantando a mão, e pelo nome e patronímio (o segundo nome de todo russo: nome do pai + sufixo OVA ou VICH se, respectivamente, você for mulher ou homem). Os alunos haviam preparado um verdadeiro espetáculo, a platéia era pequena: apenas a equipe de professores, e o backstage se apertava com todos os alunos da escola. No dia anterior eu havia passado cinco horas andando em círculos aprendendo um poema que recito até sob remédio de dormir, ainda hoje em dia. Skol'ko vesen...