Esquenta. Esquenta em mim. Filtra a boemia através de quem quer ser atravessado por ela. Atravessa o salão. Senta comigo. Bebe logo, senão esquenta. Mas vai sem pressa, vai na malemolência. Aumenta o som. Saideira. Agora já ninguém quer sair. Perde a identidade, refaz-te dos pés ao pescoço, deixa a cabeça pra lá. E quando essa música acabar, já vai ser alvorada, e vai ser a minha hora de ir-me daqui. E ir-me-ei sem permissão, mas antes disso te deixo sem chão. E enquanto enquanto esquento, espero eletivamente a hora de me amanhecer, e aí já não vou estar. Vão ser notas no ar, arranjos, rimas, saxofones e dissonância.
E aí já não vou estar. Vou nos pontuar.
A Tv da cozinha está ligada e eu não sei exatamente com que propósito. Há poucas coisas piores que tv brasileira, e é a russa. Absolutamente nada é legendado, tudo é dublado com um monotom que segue por suas duas horas de filme. Às vezes é só um homem dublando todos mudando a entonação da voz (sim, isso existe). Então eu não sei por que exatamente eu preciso dessa Tv ligada, mas talvez seja pela graça da companhia. São 9 da noite de um feriado que eu não entendo completamente o significado, hoje não tive aula e acordei cedo para estudar. Próxima semana tenho deus sabe lá quantas provas, tudo que eu sei é que minha agenda está cheia de anotações como uma pessoa louca. Nunca fui uma pessoa de reclamar infinitamente e me enterrar nessa conformidade de cara feia, o problema é que eu sei que sou perfeitamente capaz de encarar isso tudo, mas com esse inverno que vem batendo a minha porta o level de dificuldade sobe, a vontade de viver cái. Meus dias não têm sido tão ruins. Na verdade quando ...
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