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A independência do Brasil e a independência da poesia brasileira

Estou sentada aqui com uma bandeijinha de café-da-manhã e são 22:32 da noite, quando lembrei de que tinha me prometido postar hoje e não amanhã, que está programado para acontecer em uma hora e meia. Tinha prometido falar do livro dos poemas brasileiros, "Os cem melhores poemas brasileiros do século" , que me encantou as tardes e a sanidade. Li-o gradualmente, dosado. Tem doses de boniteza que só se absorve gradualmente. Olha, e só confirmo o que eu sempre dizia quando detalhava as funções das línguas que eu falo: o português é língua para poesia. Nasceu assim, traçado, predestinado para versos. O que me intrigou logo ao abrir o livro foi não conhecer o organizador e seguidamente não achar nenhuma nota no próprio livro sobre Italo Moriconi , que me desculpem os bons se ele é um desses seres famosos, mas que ele ainda não pousou no meu mundo e por aqui não fez fama, defendo eu. Depois achei de muito bom gosto e charme a divisão do livro, o que já me fez esquecer Italo, olhar...

Harém amarelo

Para isso fomos feitos [...] Por isso temos braços longos para os adeuses Abro as portas que não têm nada de galante ou imponentes, e lá estão eles. São pessoas que se podem conversar. Acho que nos dias de hoje as pessoas estão mais desesperadas por uma conversa do que por sexo. De alguma forma que vai contra a Evolução e Darwin, eu tenho a impressão de que todo mundo vai ficando mais burro. Sou chata, péssima, mas até adoro. Nada de cor vermelha nesse aposento. A conexão entre o vermelho e o erotismo é piegas demais. Piegas como querubins e conselho de tia. Abram espaço para os homens da minha vida. Eles nasceram, ou vieram ao meu conhecimento por meio do meu ócio. A única coisa que eu tenho feito ultimamente é ler livros, tocar violão e seguir uma lista de filmes de uma revista francesa que eu mal consigo pronunciar o nome. Mas eu resolvi dar um jeito nisso, a minha filosofia de vida é: "quem aprendeu russo, aprende x", sendo x um número real e que se estende até pelos ima...

Canecas

I've got duct tape all around my heart 'Cause I've got a new feeling every thirty seconds Acabei de levantar sem fome, apenas repetindo que acho que deveria comer porque comer é importante, as pessoas fazem isso o tempo inteiro, em voz alta, como se a mensagem fosse ter mais efeito. Talvez seja porque elas precisem. O sentimento de acordar num domingo não querendo sua própria companhia, pegar o violão ao invés de um café e se irritar por não querer ouvir sua voz, não querer uma conversa. A sala se enchia de livros do Bukowski, Clarice e as coisas que eu achava que me definiam, que eu voltei a dar crédito depois de não ter treze anos por muito tempo. Acho que o que me irritava mesmo era saber o que eu queria agora. Eu não sou uma suicida, acho besta. Mas às vezes me dá uma preguiça de viver que eu acordo num domingo desses e é chato demais. Só não é besta. Então de madrugada pra manhã eu pensei que ainda bem que eu escolhi essa profissão que vai tomar cento e trinta por cent...

A cigana

Clarice me dera bom dia num poema em saco de pão. Puxei o paté, o café, levantei, troquei de blusa, continuei o ritual. De branco. O meu braço ferido coloria memórias da noite anterior. Que o nome dele era Edson e ele fazia tatuagens de rena. O nome dela era alguém e ela tinha um dalmata. O nome dele era outro alguém e ele já tinha tido um husky. Passei o dia pensando sobre os fatos que nos definem. Qual a história que nos define, qual o mono-fato da vida que serviu de semente para praticamente todo o resto. São os momentos-fio. Esse professor costumava me dizer que se eu rasurasse um B numa prova e não entrasse na universidade porque outro alguém não rasurou um B eu me depravaria de uma vida inteira: novos livros, novos amigos, novas conversas, o homem da minha vida, e no pacote, até mataria os filhos, ou não os daria a existência simplesmente, por unicamente ter rasurado um B. Eu andava pela praia no dia que foi ontem, topando com o Edson, com a menina do dalmata, o senhor do husky, ...

Taxímetro

Logo se via que era lugar do mundo, já não pertencia a ninguém, tinha o carimbo do mundo, infestado dessa essência universal que as grandes capitais tens, todas copiadas. Rostos apressados, diretos e impacientes, levam o café da manhã na mão, compacto, feito para propiciar prazer, para fazer parte de uma vida que de saudável não tem nada, mas é o que o logo quer dizer. Então se carrega a hipocrisia, são os rostos apressados, vês, e pela impaciência não se nota que és apenas outra cópia daquele outro que estás ao teu lado no transporte público, és substituível e a sina da tua vida é achar que não és. Pois carrega-se o café da manhã, que é que há, que é que houve com os longos deleitosos cafés da manhã, já não se sabe, é coisa do mundo. Senhoras fechando os olhos diante de cenas que se tornaram banais, e ao que se tornaram banais ela vira todo o processo deslanchar e isso dói no peito de quem tem os anos contados em sinais que revestem a pele do colo, enferrujando-a. As senhoras eis que ...

Pousando

A rua infinita vai além do mar Quero caminhar Eu tentaria postar agora mas eu e minha - style:italic;">afta - vamos dormir porque Drummond acaba de dizer coisas que deixam o espírito leve, contente e em alguma parte, sonolento. Mas antes que eu morra de preguiça... Sem fotos [explicação mais a frente, sem cabo, no gain] Então eu realmente estou no Brasil. Para falar a verdade, eu deveria contar como foi difícil POUSAR aqui. Mas essa história совсем уже меня бесят [me enche o saco], troquemos por miúdos, a companhia aérea X me pôs num hotel junto de pariesienses e angolanos divertidos que haviam tido seu vôo cancelado também. A verdade é que sentada ali no chão do Domodedovo em Moscou esperando o meu vôo com o Konrad e a Lera eu não tinha a sensação de que eu iria para casa nessa linha reta, que eu ia ter que virar ginasta e pular essas coisas tipo um dia em Madrid, quando não se quer estar em Madrid. Ma cazzo. Os italianos sabem o que dizem, eu não sei quantas vezes repeti iss...

Para o meu último.

Remexendo nos meus documentos eu acho coisas que às vezes me definem. Então como realmente não importa, eu as coloca aqui, a mostra, como proletário enforcado sem nada a oferecer. E já foi. [1] 24 de janeiro de 2010. Para o meu último amor, Eu sei que é bobo, que isso nunca vai parar nas tuas mãos, que eu nem sei onde estão tuas mãos agoras, sobre quem estão tuas mãos agora, por onde elas estiverão, para onde os apontares dos teus dedos te levarão, se foi longe, se está perto, eu não sinto nada. E é sobre isso, exatamente isso, palavra, que eu quero te contar. Que eu não sinto nada, meu amor. Desde um tchau em meio-boca, um sorriso incerto de quem vai começar a chorar sem previsão para acabar, um sorriso cheio de desgraça e pena de si, por saber que a partir dali, seria difícil demais amar outro alguém, que seria demais amar outro alguém que não fosse você. Que a partir dali era você indo para longe demais, eu ficando comigo e tendo que me enfrentar e os meus monstros, que são iguais a...